Atualmente, os magistrados já pagam IR sobre seus salários, cujo teto constitucional é de R$ 46.366,19 mensais. Isso significa que, a partir de 2026, mesmo recebendo mais de R$ 600 mil por ano, eles já terão pago impostos suficientes para ficar isentos de tributos sobre os adicionais.
A reforma petista propõe que a nova tributação seja gradual para quem tem uma renda mensal média superior a R$ 50.000, com alíquotas que podem chegar até 10% para rendimentos anuais acima de R$ 1,2 milhão.
Por exemplo, um juiz que receba R$ 602.760,47 por ano (composto pelo salário bruto de R$ 46.366,19 mensais e o 13º) pagaria aproximadamente R$ 151 mil de IR, considerando a alíquota máxima de 27,5%.
Se, além disso, o juiz receber R$ 600 mil em penduricalhos, sua renda bruta anual passaria para R$ 1,203 milhão, o que já cobriria a tributação mínima de 10% (R$ 120 mil), sem a necessidade de pagar mais impostos sobre esses valores adicionais.
De acordo com levantamento do site Poder 360, em 2024, os tribunais pagaram 63.816 salários mensais brutos superiores a R$ 100 mil.
Exceções podem ocorrer quando juízes recebem rendimentos de outras fontes ou valores superiores aos recebidos habitualmente, sendo que, nesses casos, o entendimento da Justiça pode favorecer os magistrados, com base em decisões anteriores sobre as indenizações.
Atualmente, os “penduricalhos” — como auxílio-moradia e alimentação — não são tributados na maioria dos casos. A proposta de Lula prevê que apenas as indenizações por “acidente de trabalho, danos materiais ou morais, excluindo lucros cessantes”, sejam isentas do imposto mínimo.
Em 2023, o valor total dos penduricalhos pagos aos magistrados atingiu R$ 12,9 bilhões, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
