Após derrota no Senado, governo Lula mira STF contra PEC dos agentes de saúde
Brasília, Quinta, 16 de julho de 2026
Política

Após derrota no Senado, governo Lula mira STF contra PEC dos agentes de saúde

Durigan afirma que proposta pode ser questionada por falta de fonte de custeio; texto aprovado no Senado tem impacto estimado de R$ 28 bilhões

Dario-Durigan-Lula
Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo federal poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria regras de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. Segundo o ministro, a medida poderá ser questionada caso seja promulgada sem indicar uma fonte de custeio para o benefício, cujo impacto estimado é de R$ 28 bilhões.

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A PEC foi aprovada pelo Senado e agora segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

Durigan afirmou que o governo tem defendido a contenção de propostas que ampliem despesas obrigatórias sem previsão de receita.

“A gente vai avaliar. Se não estiver apontando fonte de receita, descumprindo a jurisprudência do Supremo, é provável que o governo vá ao Supremo”, declarou.

Segundo o ministro, a Constituição exige a indicação da fonte de financiamento sempre que um novo benefício previdenciário é criado.

“Veja, a gente tem pedido para que pautas com alto impacto fiscal, sem previsão de receita… A Constituição sempre previu que quando você cria um benefício previdenciário é preciso ter indicação de fonte de receita. É preciso ver o que o Congresso vai aprovar nesse sentido. E as medidas judiciais podem ser avaliadas sempre, para que a gente respeite o equilíbrio fiscal”, afirmou.

Durigan também disse manter diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tratar de matérias com impacto sobre as contas públicas.

“É um compromisso de futuro de país, para que a gente não comprometa o equilíbrio que foi arduamente conseguido por essa gestão que o ministério está fazendo, com esse tipo de medida de alto impacto fiscal”, declarou.

O que prevê a PEC

A proposta estabelece regras de transição para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, além de incluir agentes indígenas de saúde e agentes indígenas de saneamento.

O texto também define critérios para contratação, prevê financiamento pela União e cria um benefício extraordinário destinado a complementar os valores pagos pelo Regime Geral de Previdência Social.

Pelas novas regras, os profissionais poderão se aposentar aos 57 anos, no caso das mulheres, e aos 60 anos, para os homens, desde que comprovem 25 anos de contribuição e de efetivo exercício da atividade. O período de afastamento para exercício de mandato sindical também poderá ser contabilizado para esse tempo de serviço.

Debate sobre fonte de custeio

A discussão sobre o impacto fiscal da proposta ganhou força após manifestações de integrantes do governo e do Supremo.

O ministro Gilmar Mendes também afirmou recentemente que o Congresso não deve criar despesas para estados e municípios sem indicar a respectiva fonte de financiamento.

Segundo ele, impor novos encargos financeiros sem a correspondente compensação compromete a autonomia dos entes federativos e afeta o pacto federativo.

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