Violência política e terrorismo: É hora de reagir! - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Violência política e terrorismo: É hora de reagir!

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Por Claudio Dantas

É impossível ler sobre o atentando de ontem contra o senador colombiano Miguel Uribe e não associá-lo imediatamente à facada de Adélio Bispo em Jair Bolsonaro em 2018. Ambos participavam de ato eleitoral, ostentavam discurso contra o crime organizado e ameaçavam o status quo angariando cada vez mais apoio popular.

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Intolerável imaginar que a violência política, tanto na Colômbia como no Brasil, foi de tal forma normalizada que não se vê ninguém cobrando a aprovação de uma legislação específica capaz de reprimir tais crimes. Por aqui, o que se tem é uma lei contra a violência política de gênero e a que tipifica crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Ambas são ineficazes contra a interferência do crime organizado na política e a obliteração de candidatos não alinhados aos interesses de facções, milícias, máfias e suas congêneres. Quem não enxerga a mão do PCC por trás de Adélio tampouco vai entender o que fez o Brasil bater recorde de casos de violência política nas eleições de 2024.

Nos poucos meses da campanha, foram registrados 27 assassinatos, 129 atentados, 224 ameaças, 71 agressões físicas, além de 81 ofensas, 16 criminalizações e 10 invasões. Reportagem recente no Fantástico mostrou que grupos criminosos interferiram nas eleições em ao menos 42 cidades.

Em João Dias, no Rio Grande do Norte, o prefeito Francisco Damião de Oliveira foi executado por um integrante do PCC ligado a Marcola após romper acordo com a facção. Segundo as investigações, ele deveria ter renunciado para que a vice, irmã do criminoso, assumisse a Prefeitura.

TERRORISMO POLÍTICO
Desde o início da administração Trump, os EUA tem pressionado o governo brasileiro a classificar PCC, Comando Vermelho e outras facções como organizações terroristas. A gestão Lula resiste e chegou a renegociar um tratado com Argentina e Paraguai para retirar expressões que faziam esse vínculo.
A desculpa oficial da camarilha petista é de que grupos terroristas não têm ideologia.

“Não consideramos as facções organizações terroristas. Em 1º lugar, porque isso não se adequa ao nosso sistema legal, sendo que nossas facções não atuam em defesa de uma causa ou ideologia. Elas buscam o lucro através dos mais variados ilícitos”, diz Mario Sarrubbo, o secretário nacional de Justiça.

Sarrubbo diz também que equiparar facções a organizações terroristas não traria nenhum ganho do ponto de vista da efetividade da repressão. São declarações absurdas, que desinformam e preocupam. Dizer que PCC e CV não atuam em defesa de uma causa é falsificar o debate e negar os fatos.

Além disso, terrorismo é método, não um fim em si mesmo.

Hoje, as principais facções criminosas brasileiras atuam de forma pesada para capturar instituições e entidades estatais, assim como setores econômicos e porções de território. Nesses locais, impõem suas próprias leis. Também investem na formação de advogados, ativistas e políticos. Infiltram membros no Judiciário, no Legislativo e no Executivo.

Firmam parcerias internacionais com máfias, gangues e também grupos terroristas.

Reduzir ação tão complexa e profissional a uma simples busca pelo “lucro através dos mais variados ilícitos” é debochar da inteligência alheia e do próprio Congresso Nacional, onde hoje tramita um projeto de lei que propõe justamente a reclassificação do crime organizado, além de um pedido de CPI.

Essas e outras iniciativas legislativas precisam avançar com toda a força, pois já contam com o apoio ostensivo da população, tanto dentro como fora das favelas. É hora de parar com sofismas, chega de relativizar a atuação de grupos que tornam reféns milhões de cidadãos e subjugam o próprio Estado Democrático de Direito.

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