Moraes usa voto de Cármen de escada e vota de novo
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Moraes usa Cármen de escada e vota de novo

STF: Moraes rebate Fux, aponta Bolsonaro como líder de organização criminosa e mostra vídeo de ato na Paulista
STF: Moraes rebate Fux, aponta Bolsonaro como líder de organização criminosa e mostra vídeo de ato na Paulista.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Moraes rebate Fux e chama Bolsonaro de líder de organização criminosa utilizando de espaço da ministra

O ministro Alexandre de Moraes usou sua intervenção durante o voto da ministra Cármen Lúcia, agora há pouco (11), para rebater pontos levantados pelo ministro Luiz Fux no julgamento sobre a trama de golpe. A interrupção de Moraes durou 19 minutos e o ministro exibiu imagens de protestos e um vídeo do ex-presidente em ato realizado em 2021 na Avenida Paulista.

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Na sessão anterior, Fux havia afastado o crime de organização criminosa, afirmando que não havia provas de reuniões para cometer “crimes indeterminados” com grave violência ou ameaça. Moraes contestou a posição.

Essa organização criminosa queria calar o Judiciário e, ao mesmo tempo, se perpetuar no Poder. Se, para isso, precisasse matar um ministro do Supremo Tribunal Federal, envenenar um presidente da República, praticar peculato, usando os Poderes de Estado. São crimes indeterminados, crimes para chegar ao seu objetivo”, disse.

Moraes também afirmou que os atos de 8 de janeiro foram orquestrados. “É importante deixarmos claro para a sociedade que não foi um domingo no parque. Foi uma tentativa de golpe de Estado. Não foi combustão espontânea. Não foram baderneiros desordenados, que, ao som do flautista, todos fizeram fila e destruíram a sede dos Três Poderes. Foi uma organização criminosa.

“Eu tenho um voto para fazer”, disse Cármen

O ministro chamou Jair Bolsonaro de “líder” e “ponta de lança” de um discurso populista que, segundo ele, caracteriza novas ditaduras. “Quem sempre foi, além de líder, o ponta de lança desse discurso populista que caracteriza as novas ditaduras no mundo todo foi Jair Messias Bolsonaro, para desacreditar o poder judiciário. Fraude às urnas, deslegitimação da Justiça Eleitoral, necessidade de intervenção militar e perpetuação do poder.

Carmén Lúcia apressou o colega: “termina que eu tenho um voto para fazer. Me deixa falar”, afirma Carmén.

O presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, interrompeu para se manifestar pela primeira vez sobre os fatos da denúncia. “Me parece que essa figuração é uma coação institucional, que me parece própria dos crimes contra o Estado Democrático de Direito”, afirmou, em referência ao material exibido.

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