Ex-ministro do GSI afirmou também que tinha 900 homens de prontidão
Durante audiência realizada nesta quarta-feira (16), o general Gonçalves Dias, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), confirmou que recebeu “informes” da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre os protestos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
Ao responder a questionamentos da defesa de Filipe Martins, investigado por suposta tentativa de golpe, o general disse que os alertas “foram repassados à Secretaria de Segurança Presidencial”, vinculada ao GSI, e lavou as mãos.
“Foram mensagens repassadas por WhatsApp pelo diretor-adjunto da Abin, antes mesmo de a nomeação oficial do diretor da agência ser feita pelo presidente da República”, disse. Ele também afirmou que a estrutura do órgão contava com aproximadamente 900 homens com atribuições voltadas à segurança do presidente e instalações presidenciais.
Ao ser questionado pelo advogado Igor de Araújo Monteiro, o general alegou também que não recebeu informações da PM do Distrito Federal, da Polícia Federal ou do Ministério da Justiça sobre ameaças concretas.
Ocorre que o general não participou e nem enviou representante para as reuniões de análise e preparação para o 8 de janeiro, embora tenha sido convidado. Ele afirmou, porém, que o plano Escudo do Planalto, previsto para proteção do Palácio do Planalto e das instalações presidenciais, estava ativo.
Segundo ele, esse plano previa barreiras policiais e atuação do Batalhão da Guarda Presidencial, com tempo estimado de resposta de cerca de 15 minutos entre o quartel e o Planalto.
O general relatou que chegou ao Palácio por volta das 14h, quando os manifestantes já avançavam em direção à Praça dos Três Poderes. “Quando cheguei, os baderneiros já estavam descendo na frente do Ministério da Justiça”, afirmou.
Questionado sobre uso da força e comando das tropas, G. Dias explicou que a Secretaria de Segurança Presidencial era responsável pelas ações e estava sob o comando do general Feitosa. Confirmou que o efetivo do Comando Militar do Planalto estava presente e que reforços foram acionados três vezes.
O ministro Alexandre de Moraes encerrou a audiência após embate entre Chiquini e a testemunha, destacando que o advogado estava interrogando indevidamente o general.
