Defesa de Bolsonaro pede ao STF retorno de visitas de Flávio
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Justiça

Defesa de Bolsonaro pede ao STF retorno de visitas de Flávio

Advogados alegam que suspensão por 90 dias é “desproporcional”

Jair-Bolsonaro-Flávio
REUTERS/Adriano Machado

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recorreu nesta segunda-feira (20) ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes que suspendeu, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, que cumpre prisão domiciliar.

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No recurso, os advogados pedem que Moraes reveja a determinação. Caso o ministro mantenha a decisão, a defesa solicita que o caso seja levado para análise da Primeira Turma do STF.

Os advogados argumentam que a restrição das visitas familiares é uma medida “desproporcional” diante da conduta atribuída ao ex-presidente. Segundo a defesa, a suspensão do contato entre pai e filho representa uma limitação excessiva de um direito previsto na Lei de Execução Penal e em normas internacionais de proteção a pessoas privadas de liberdade.

A decisão de Moraes foi tomada após Flávio divulgar nas redes sociais uma carta manuscrita por Jair Bolsonaro durante uma visita. No documento, o ex-presidente declarou apoio à pré-candidatura do filho à Presidência da República e afirmou que o senador seria seu “porta-voz” e sua “melhor opção” para o país.

Para o ministro, a divulgação do conteúdo violou uma das condições impostas ao ex-presidente durante a prisão domiciliar: a proibição de realizar manifestações em redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros.

Na decisão, Moraes entendeu que a visita teria sido utilizada com finalidade diferente da prevista, já que o encontro teria resultado na obtenção de um documento posteriormente publicado nas plataformas digitais.

A defesa, porém, afirma que Bolsonaro “jamais teve ciência” de que a carta seria divulgada nas redes sociais e negou qualquer combinação prévia para a publicação.

“Conforme esclarecido nos autos, o Agravante jamais teve ciência do meio pelo qual a carta manuscrita seria posteriormente divulgada, tampouco houve qualquer ajuste prévio para utilização de redes sociais”, afirmou a defesa no recurso.

Os advogados também sustentam que uma carta escrita pelo ex-presidente e divulgada por Flávio em dezembro de 2025 não havia sido considerada uma violação das medidas impostas naquele momento.

Defesa pede alternativa caso suspensão seja mantida

Além de solicitar a retomada das visitas familiares, a defesa apresentou um pedido alternativo: caso a restrição seja mantida, Flávio Bolsonaro possa se reunir com o pai na condição de advogado.

O senador integra formalmente a equipe jurídica do ex-presidente. Segundo os advogados, a suspensão determinada por Moraes estaria baseada em regras aplicáveis a visitas de familiares e amigos, mas não deveria alcançar a comunicação entre advogado e cliente.

“A manutenção da decisão acaba por repercutir não apenas sobre prerrogativa profissional do advogado, mas igualmente sobre direito do próprio agravante de comunicar-se com um dos profissionais livremente escolhidos para exercer sua defesa técnica”, argumentaram.

A defesa afirma ainda que o fato de Bolsonaro possuir outros advogados não elimina o direito de manter contato com um defensor de sua confiança.

Moraes, por outro lado, afirmou que o ex-presidente conta com uma equipe de 30 advogados e que seis deles realizaram cerca de 60 visitas durante o período de prisão domiciliar, o que, segundo o ministro, garante a comunicação necessária para a defesa técnica.

Restrições impostas pelo STF

Além da suspensão das visitas de Flávio por 90 dias, Moraes determinou que Bolsonaro não receba visitas com finalidade político-eleitoral até o fim das eleições de 2026. O ministro também estabeleceu a suspensão geral de visitas por 30 dias, mantendo exceções para advogados e profissionais das áreas médica e fisioterapêutica.

Na decisão, Moraes afirmou que houve descumprimento das regras da prisão domiciliar, mas considerou que se tratava da primeira violação registrada desde o início do cumprimento da medida, motivo pelo qual não determinou a volta do ex-presidente ao regime fechado.

O ministro também rejeitou as críticas de aliados de Bolsonaro de que a suspensão das visitas de Flávio teria como objetivo impedir a comunicação do ex-presidente. Segundo Moraes, a defesa continua garantida pela atuação dos advogados cadastrados no processo.

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