Encontro presencial nesta quinta (30) reúne chefes de Executivo de estados após Operação Contenção
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), afirmou nesta quarta-feira (29) que os chefes de Executivo estaduais decidiram unir esforços em apoio às forças de segurança do Rio de Janeiro, após uma videoconferência realizada pela manhã com o governador Cláudio Castro (PL).
O novo encontro será presencial na quinta-feira (30) e foi convocado depois da megaoperação contra o Comando Vermelho (CV), que deixou 119 mortos (incluindo quatro policiais), segundo balanço oficial da Polícia Civil fluminense.
“Estaremos todos nós no Rio de Janeiro para prestar solidariedade ao governador Cláudio Castro e ao mesmo tempo também oferecer um apoio ali às forças de segurança do estado”, declarou Caiado.
O governador goiano destacou ainda a preocupação com a presença de lideranças de facções criminosas no território fluminense e disse que o problema afeta diretamente outros estados.
“Para vocês terem uma ideia: nós temos que entender que o Rio de Janeiro hoje é um local onde todas as lideranças do Comando Vermelho no Brasil estão ali concentradas, porque ali eles têm um verdadeiro espaço totalmente dominado e imune a qualquer ação da Justiça ou da lei do Brasil. Só no estado de Goiás tinham quatro chefes de facção do Comando Vermelho entre os que morreram no combate com as forças de segurança do Rio de Janeiro”, afirmou.
Governadores vão ao Rio de Janeiro apoiar forças de segurança, diz Caiadohttps://t.co/EdAqAOFxVt pic.twitter.com/gvEYABkQNI
— PortaldoDantas (@PortaldoDantas) October 29, 2025
Em coletiva de imprensa, o Castro destacou que as ações do governo do Rio estão voltadas a resultados concretos no combate ao crime organizado, sem espaço para politização. Castro também criticou decisões judiciais que, segundo ele, dificultam a atuação das forças de segurança, e disse aguardar contato formal do governo federal sobre o suporte que será oferecido ao estado após a operação.
A reunião contou também com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); e de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil).
Governador de SC apresentou propostas
Antes do encontro, o governador catarinense já havia antecipado que pretendia propor uma cooperação imediata entre os estados, com foco no apoio operacional e no compartilhamento de informações de inteligência. Durante a reunião, a proposta foi oficializada e recebeu apoio dos demais governadores.
“Nossa proposta é que os governos cedam homens de suas polícias, tanto na área de inteligência quanto no efetivo, para auxiliar o Rio de Janeiro neste momento. O combate ao crime organizado não pode ter fronteiras. É uma responsabilidade de todos”, afirmou Mello.
Além do apoio logístico, Jorginho também endossou a necessidade de pressionar o Congresso Nacional pela aprovação do Projeto de Lei 2428/2025, que equipara as ações de facções e milícias ao terrorismo, prevendo penas mais severas para crimes como dominação territorial e ataques a serviços essenciais.
A proposta foi defendida por Zema como uma medida “urgente para endurecer o enfrentamento às facções”.
Megaoperação e números atualizados
A Polícia Civil do Rio confirmou nesta quarta-feira (29) que a operação resultou em 119 mortos, sendo 115 criminosos e 4 policiais. Também foram realizadas 113 prisões e apreendidas 118 armas, entre elas 91 fuzis, 26 pistolas e um revólver.
Foram detidos 33 suspeitos de outros estados e 10 adolescentes apreendidos. A polícia recolheu ainda 14 artefatos explosivos, centenas de carregadores, grande quantidade de munição e toneladas de drogas ainda em contagem.
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro contesta o número oficial e afirma ter contabilizado 132 mortos, número superior ao informado pelas autoridades estaduais.
