Governador nega GLO, critica decisões judiciais e aguarda apoio do governo federal
O governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PL), afirmou em coletiva de imprensa agora há pouco (29) que os quatro policiais mortos durante a megaoperação nos Complexos do Alemão e da Penha “foram as únicas vítimas do confronto”.
Entre os mortos estão o policial civil Rodrigo Cabral (39ª DP, Pavuna), o policial militar Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, conhecido como “Máskara”, e os 3º sargentos Cleiton Serafim Gonçalves e Heber Carvalho da Fonseca, ambos do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
A declaração ocorre logo após participar de uma reunião por videoconferência com governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Goiás, Ronaldo Caiado (União), de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), para discutir apoio técnico e operacional ao estado após a operação.
“A agenda não é política, não é eleitoral. Nós queremos resolver o problema do cidadão carioca”, disse.
O governador destacou que a operação foi planejada por mais de 60 dias, com um ano de investigação e participação do Ministério Público, e ocorreu de forma independente do governo federal.
“Ontem foi uma operação de cumprimento de mandado judicial. De vítima, só tivemos os policiais. Já determinei que suas famílias sejam totalmente amparadas pelo Estado”, afirmou.
Castro criticou decisões judiciais que, segundo ele, dificultam o combate ao crime organizado, e reforçou que todas as ações do governo estão focadas em resultados concretos, sem politização.
O governador também ressaltou a cooperação técnica com órgãos federais, como Polícia Federal e Força Nacional, e que qualquer apoio será organizado de forma estratégica, ordenada e técnica.
Castro diz aguardar contato formal do governo federal
Ele declarou ainda aguardar o contato formal do governo federal para discutir o suporte necessário.
“Aguardo contato que formalize a intenção de visita ao Rio de Janeiro ainda hoje. Desconheço a identidade da pessoa que virá e o horário previsto para sua chegada. Diante disso, e considerando os eventos de ontem e hoje, desejo deixar claro que o governador deste estado e nenhum secretário responderão a questionamentos de ministros, autoridades ou qualquer pessoa que busque instrumentalizar este momento para fins políticos”, disse.
Castro criticou decisões judiciais que dificultam o combate ao crime organizado e deixou claro que não solicitou a aplicação Garantia da Lei e da Ordem (GLO), por entender que isso não compete ao governador.
“É necessário verificar se o instrumento a ser utilizado é a GLO ou não. Essa é uma questão do Governo Federal. Não cabe a mim determinar o instrumento jurídico a ser utilizado para nos auxiliar. Portanto, diferentemente do que foi dito, o governador nunca solicitou GLO. Não compete ao governador solicitar GLO. O governador deve solicitar apoio, efetivo, infraestrutura, recursos, equipamentos e inteligência”, declarou.
O argumento faz referência à declaração do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, na terça-feira (28), de que não houve qualquer solicitação formal de Castro para a realização de uma GLO. Segundo o ministro, a medida só pode ser acionada quando o governador reconhece a incapacidade de manter a ordem pública, transferindo temporariamente as ações de segurança ao governo federal, sob o comando das Forças Armadas.
Segundo o governador do RJ, o contato com o governo federal foi breve e começou ontem, com uma ligação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, indagando sobre a situação.
Posteriormente, Castro afirmou ter ligado pessoalmente para o ministro solicitando vagas nos presídios federais para a transferência de dez criminosos do sistema penitenciário do Rio de Janeiro para unidades de segurança máxima.
“À noite, o gabinete do ministro Lewandowski entrou em contato com o meu gabinete, informando que ele tinha interesse em vir hoje ao Rio de Janeiro e que teria uma reunião pela manhã com o Presidente, após a qual comunicaria o horário de sua vinda. Ainda aguardamos esse contato”, explicou.
Balanço será atualizado nas próximas horas
Atualmente, o governo confirma 64 mortes relacionadas à operação, no entanto, o número pode ultrapassar 100.
Uma coletiva das forças de segurança do estado, com a apresentação do balanço e do armamento apreendido, está prevista para hoje. Participam os secretários de Segurança Pública, Victor dos Santos, de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, e de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes.
