A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se manifestou após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitar, nesta quarta-feira (26), a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornar réus Bolsonaro e outros sete aliados por suposta trama golpista em 2022.
O advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, criticou a decisão e destacou que a defesa sempre alertou sobre a falta de materialidade na acusação. “O resultado está posto. Vamos nos defender durante a ação penal. Agora, eu acho preocupante porque a defesa já vem dizendo há muito tempo duas coisas. Quando se fala da materialidade, estamos falando do dia 8 de janeiro, algo com o qual o presidente não está envolvido, não esteve envolvido. Só na denúncia é que surge esse suposto envolvimento, porque nem no relator da Polícia Federal isso apareceu”.
Vilardi reforçou a preocupação com a narrativa criada para vincular Bolsonaro aos atos do 8 de janeiro. “Criou-se uma narrativa sobre o 8 de janeiro para envolver o presidente. Essa é a verdade”, afirmou.
O advogado também questionou a interpretação de trechos de diálogos utilizados como prova. “Esses trechos estão dentro do contexto? Fora do contexto? Há algo a mais ou a menos? Não sabemos. Por isso, precisamos ter — e esperamos que tenhamos, a partir de agora — a plenitude de defesa que a Constituição Federal garante”, ressaltou.
Vilardi ainda elogiou a postura do ministro Luiz Fux ao abordar a dosimetria das penas. “Não só sobre a dosimetria, mas principalmente sobre a questão dos dois delitos que estão sendo imputados”, frisou.
