PF denunciou Torres em “tentativa desesperada”, afirma advogado - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

PF denunciou Torres em “tentativa desesperada”, afirma advogado

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (25) o julgamento para decidir se aceita a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados de planejar um golpe de Estado após as eleições de 2022.

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A defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres atacou a denúncia e criticou a atuação da Polícia Federal. “A Polícia Federal, numa tentativa desesperada de dar peso a essa prova, afirma que Anderson Torres mentiu em seu depoimento, quando disse que aquela minuta estava na internet desde dezembro. Ora, se alguém mentiu, não foi Anderson Torres”, declarou o advogado Eumar Novacki.

Novacki também apontou inconsistências na acusação. “Na exordial acusatória, o Ministério Público Federal imputa a Anderson Torres o fato de fazer parte de uma macabra trama golpista. O que nós vamos demonstrar aqui, tecnicamente, é que em relação a Anderson Torres, a denúncia é inepta e permeada de falsas relações.”

A defesa argumentou ainda que não há provas concretas que liguem Torres a qualquer tentativa de golpe. “Nenhuma vírgula foi falada pela PGR em relação aos dados telemáticos de Anderson Torres e as quebras de sigilo. Por que razão? Porque tudo que foi encontrado favorece Anderson Torres.”

O advogado de Alexandre Ramagem, Paulo Renato Garcia Cintra Pinto, também atacou a denúncia. “A inicial imputa claramente ao denunciado Alexandre Ramagem atuar na construção de uma mensagem em detrimento da confiança da segurança das urnas eletrônicas. No entanto, a denúncia não apresenta nenhum elemento concreto que comprove essa tese. O que há são apenas três arquivos de texto, sem qualquer inovação ou criação de narrativa.”

Sobre a suposta estrutura paralela de inteligência na ABIN, a defesa de Ramagem afirmou que não há evidências de irregularidade. “A denúncia menciona uma ferramenta de inteligência chamada FirstMind, mas a própria defesa trouxe documentos aos autos mostrando que Alexandre Ramagem descontinuou o uso dessa ferramenta e iniciou procedimentos administrativos para aferir sua regularidade.”

O STF deve decidir se aceita ou não a denúncia da PGR, o que pode levar à abertura de uma ação penal contra os envolvidos.

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