CCJ da Câmara vota amanhã PEC da redução da maioridade penal
Brasília, Segunda, 08 de junho de 2026
Política

CCJ da Câmara vota amanhã PEC da redução da maioridade penal

Proposta prevê punição penal para adolescentes de 16 e 17 anos em casos específicos

CCJ da Câmara vota amanhã PEC da redução da maioridade penal
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados marcou para amanhã (09) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. A reunião está prevista para começar às 14h30 na Casa Baixa, e a proposta é o único item da pauta.

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A análise estava prevista para 27 de maio, mas foi adiada após pedido de vista apresentado pelos deputados esquerda Erika Kokay (PT-DF), Orlando Silva (PCdoB-SP), Sâmia Bomfim (Psol-SP) e Talíria Petrone (Psol-RJ).

O texto em discussão é um substitutivo apresentado pelo deputado Coronel Assis (PL-MT) em 24 de abril. O parecer não mantém a versão original da PEC e restringe a responsabilização penal de adolescentes de 16 e 17 anos a crimes específicos.

Pela proposta, jovens nessa faixa etária poderão responder criminalmente apenas por crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. O texto retoma um modelo aprovado pela Câmara em 2015 e posteriormente arquivado pelo Senado em 2022.

O parecer estabelece que “são penalmente inimputáveis os menores de 18 anos, sujeitos às normas da legislação especial, ressalvados os maiores de 16 anos, observando-se o cumprimento da pena em estabelecimento separado dos maiores de dezoito anos e dos menores inimputáveis, em casos de crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte”.

A versão original da PEC prevê a redução da maioridade penal e civil para 16 anos. Segundo o texto, “a maioridade é atingida aos 16 anos, idade a partir da qual a pessoa é considerada penalmente imputável e capaz de exercer plenamente todos os atos da vida civil”.

Atualmente, a Constituição considera inimputáveis os menores de 18 anos, submetendo-os às regras da legislação específica. A proposta original também torna obrigatório o alistamento eleitoral e o voto a partir dos 16 anos, hoje facultativos nessa faixa etária.

O texto ainda reduz a idade mínima para cargos eletivos, fixando 30 anos para presidente da República e senador, 25 anos para governador, 18 anos para deputado e prefeito, e 16 anos para vereador.

No parecer, Coronel Assis argumenta que a proposta original enfrenta obstáculos constitucionais e políticos. Segundo ele, “a forma como a PEC 32/2015 foi apresentada padece de vícios de inconstitucionalidade material que impedem sua aprovação na íntegra”.

O relator acrescenta que “a proposta original, ao pretender instituir a ‘plena maioridade civil e penal’ de forma ampla e irrestrita, colide frontalmente com o arcabouço de proteção especial à criança e ao adolescente, consagrado como prioridade absoluta no artigo 227 da Constituição”.

Ainda de acordo com Assis, “a redução da maioridade penal somente será admissível se feita de maneira restrita e cuidadosa, preservando-se o núcleo essencial da proteção constitucional aos menores”.

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