CCJ aprova PEC que torna imprescritíveis crimes sexuais contra crianças
Brasília, Quinta, 16 de julho de 2026
Política

CCJ aprova PEC que torna imprescritíveis crimes sexuais contra crianças

Proposta ainda será analisada por uma comissão especial

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

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Por Redação

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara aprovou ontem (15) a admissibilidade da PEC 21/25, de autoria da deputada federal Soraya Santos (PL-RJ), que torna imprescritíveis os crimes sexuais cometidos contra menores de 12 anos.

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A proposta ainda será analisada por uma comissão especial, que será criada para esse fim, antes de seguir para votação no Plenário da Câmara. A proposta precisa ser aprovada em dois turnos pela Casa e depois passar pelo Senado.

O texto acrescenta um inciso ao artigo 5º da Constituição Federal para incluir os crimes sexuais cometidos contra menores de 12 anos entre as hipóteses de imprescritibilidade. Com a mudança, o Estado poderá responsabilizar criminalmente os autores independentemente do tempo decorrido desde o crime.

Atualmente, a Constituição prevê a imprescritibilidade apenas para crimes de racismo e para a ação de grupos armados contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.

Pela legislação atual, o crime de estupro de vulnerável prescreve em 20 anos. A contagem do prazo começa a partir dos 18 anos da vítima, exceto se a ação penal já tiver sido iniciada em data anterior. A PEC mantém as penas previstas na legislação penal, mas elimina o limite temporal para que o autor possa ser processado e punido.

A relatora da proposta na comissão, deputada Julia Zanatta (PL-SC), apresentou parecer favorável à medida. “A proposta não suprime nem enfraquece qualquer direito fundamental; ao contrário, amplia a tutela de bem jurídico da mais alta hierarquia, a dignidade e a integridade sexual da criança”, avaliou durante a sessão de ontem.

Durante a reunião, a deputada também citou um caso recente para defender a aprovação da proposta. “Tivemos uma notícia muito triste vinda do Ceará, onde uma bebê de 10 meses morreu porque foi estuprada por dois homens, e me surpreende que o estupro contra vulneráveis não seja ainda imprescritível”, criticou a deputada.

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