Ele acusa ministro de ignorar relatório que apontava irregularidades em entidades ligadas ao irmão de Lula
O deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, criticou nesta terça-feira (18) a possível indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
As críticas surgem após revelações de que Messias teria ignorado um relatório interno apontando irregularidades em entidades sindicais que cobravam valores indevidos de aposentados e pensionistas.
O relatório, elaborado por 63 procuradores da AGU na região Sul, identificou nove entidades com aumento significativo de ações judiciais por cobranças não autorizadas e recomendava o cancelamento de convênios caso as irregularidades fossem confirmadas.
Entre elas estava o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), cuja vice-presidência é ocupada por Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT).
Segundo a denúncia, ao acionar a Justiça para bloquear bens das entidades suspeitas em maio deste ano, Messias excluiu seis das nove citadas no relatório, incluindo o Sindnapi, que movimentou R$ 1,2 bilhão entre 2019 e 2025. Outra entidade ligada ao PT, a Contag, alvo de operação da Polícia Federal, arrecadou R$ 3,4 bilhões no mesmo período.
“É estarrecedor. As revelações de que o ministro Jorge Messias ignorou alertas internos da própria AGU sobre irregularidades praticadas por entidades sindicais no esquema de descontos ilegais contra aposentados e pensionistas são gravíssimas. Não estamos diante de um simples erro administrativo”, iniciou Zucco.
“Estamos falando de omissão deliberada, com claros indícios de prevaricação, que contribuiu para a continuidade de um esquema que saqueou idosos e vulneráveis em todo o país”, completou.
O deputado também questionou a proximidade do ministro com o núcleo político do governo, sugerindo que a omissão teria beneficiado entidades ligadas ao irmão do presidente.
“Não é coincidência que entre as entidades envolvidas esteja o sindicato em que o irmão de Lula ocupa uma posição de comando”, afirmou.
Zucco considerou inaceitável a possibilidade de Messias integrar o STF e alertou que a nomeação de alguém envolvido em “omissões, suspeitas e conivências” comprometeria a credibilidade da Corte.
“A Corte Suprema exige integridade absoluta. Não podemos permitir que seja tratada como um abrigo político para quem não agiu diante de alertas sobre ilícitos envolvendo círculos próximos ao poder”, declarou.
A AGU informou que o relatório tinha caráter administrativo e não apontava fraudes, motivo pelo qual não serviria de base para ação judicial.
