Apresentador questiona por que Messias excluiu entidades suspeitas do pedido de bloqueio bilionário
Durante o programa Alive desta terça-feira (18), o apresentador Claudio Dantas reforçou críticas à atuação da Advocacia-Geral da União (AGU) no caso dos descontos associativos ilegais aplicados a aposentados.
As declarações ocorrem após a revelação de que o ministro Jorge Messias desconsiderou relatório interno que apontava o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) — que tem como vice-presidente Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT) — como uma das principais entidades suspeitas de cobranças indevidas.
Dantas questionou a diferença entre as listas produzidas pela Polícia Federal, pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo setor interno da AGU.
Segundo o apresentador, enquanto dez entidades haviam sido identificadas como suspeitas por órgãos de fiscalização, Messias decidiu incluir apenas seis no pedido de bloqueio de R$ 2,5 bilhões em bens.
“A coisa mais curiosa que eu já vi… tem dez entidades investigadas. As suspeitas são as mesmas. Aí a Polícia Federal investiga só seis. A CGU queria investigar dez. Dentro da AGU tem alerta para investigar dez. E o AGU diz: ‘vamos só bloquear aqui’. Isso é muito grave”, afirmou Dantas.
O apresentador destacou ainda que o Sindnapi estaria na “origem do esquema” de descontos ilegais, citando o caso do analista econonômico Ari Alcântara, que teria recebido cobranças em folha por dez meses sem autorização.
Alcântara, que participou do programa, classificou todo o sistema de controle da Previdência como “falho por design”. Ele defendeu uma reformulação completa, com digitalização e rastreamento integral dos pagamentos da Previdência e do orçamento federal.
“Todo o sistema é uma fraude. Não é casual. Está montado para permitir intervenção humana que favorece alguém em detrimento de outro”, declarouo analista.
Vaga no STF
A cientista política Júlia Lucy avaliou que a postura de Jorge Messias deveria inviabilizar sua indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro é apontado como favorito a ocupar a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
“Essa omissão é absolutamente grave. Coloca o nome dele sob total suspeita. Como uma pessoa dessa pode brigar por uma vaga no Supremo?”, questionou.
Lucy também destacou que há pressão interna no governo para que Lula indique uma mulher ao STF, relembrando promessas de campanha do presidente.
Ela cobrou maior repercussão do caso na imprensa tradicional e afirmou que o assunto deve fortalecer os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que investiga fraudes em descontos associativos.
Relatório interno ignorado pela AGU
As críticas surgem após reportagem revelar que Messias não considerou um levantamento produzido por 63 procuradores da AGU na região Sul.
O documento apontava nove entidades com aumento significativo de ações judiciais por cobranças não autorizadas e recomendava cancelamento de convênios caso as irregularidades fossem confirmadas.
Entre as entidades listadas estavam:
- Sindnapi
- Conafer
- Master Prev
- Cobap
- Unipab
- Abamsp
- AAPB
- AP Brasil
- Unaspub
Ao acionar a Justiça para bloquear bens de entidades suspeitas, em maio deste ano, Messias excluiu seis das nove citadas, incluindo o Sindnapi, que movimentou R$ 1,2 bilhão entre 2019 e 2025.
Já a Contag, também ligada ao PT e alvo de operação da PF, arrecadou R$ 3,4 bilhões no mesmo período.
A AGU afirmou que o relatório tinha caráter administrativo e não apontava fraudes, motivo pelo qual não embasaria ação judicial.
