Ministro afirma que alinhamento entre o ex-presidente e demais réus é organização criminosa
Antes da leitura do voto, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que documentos e mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam convergência entre Jair Bolsonaro e os demais réus para desacreditar o sistema eleitoral.
“Mostra o alinhamento entre a live de Jair Bolsonaro, entre as anotações de Augusto Heleno e entre esses documentos produzidos por Alexandre Ramagem. Convergência total desses documentos e também convergência com um diálogo, uma conversa, apreendida entre Alexandre Ramagem e Jair Messias Bolsonaro, que não está aqui”, declarou Moraes, lembrando a ausência do ex-presidente na sessão.
Segundo a defesa, Bolsonaro não compareceu por questões de saúde.
Moraes também destacou: “Isso não é uma mensagem de um delinquente do PCC para outro. É uma mensagem do diretor da Abin para o então presidente da República. A organização criminosa já iniciava os atos executórios para se manter no poder independente de qualquer coisa”.
Sobre a live feita pelo ex-presidente, o ministro insiste que Bolsonaro incentivou milícias digitais por meio das transmissões que “divulgavam desinformação de forma massiva para atentar contra os Poderes constituídos”. De acordo com o ministro, o ex-presidente atentava contra o Poder Judiciário com o objetivo de manter seu grupo no poder.
Nos bastidores, chamou atenção a saída do ministro Luiz Fux por quase dez minutos durante a leitura do voto, após interromper Moraes no início da sessão. O gesto foi interpretado na plateia como sinal de divergência em relação à posição majoritária.
