Justiça italiana aponta que Zambelli tem condições de permanecer em regime prisional em Roma
Um laudo médico elaborado a pedido da Justiça italiana aponta que a deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP) pode permanecer detida no país europeu e até ser extraditada ao Brasil. O documento, de 19 páginas, foi obtido pela CNN e será apresentado em audiência nesta quarta-feira (27), no Tribunal de Apelação de Roma.
A análise foi feita pela especialista em medicina legal e ciências forenses Edy Febi. O parecer conclui que Zambelli tem condições de seguir seu tratamento médico dentro da penitenciária de Rebibbia, em Roma.
“Com o regime prisional, incluindo a possibilidade de receber as terapias de que necessita dentro do estabelecimento prisional, não surgem elementos que excluam a possibilidade de a pessoa ser mantida detida”, afirma o relatório.
O laudo registra diagnóstico de transtorno depressivo, mas aponta que “nenhuma indicação de automutilação ou comportamento anticonservador foi relatada” desde o início da prisão. A médica também citou a Síndrome de Ehlers-Danlos, doença rara que causa frouxidão nas articulações, mas concluiu que o quadro “não parece ser, no momento, potencialmente fatal”.
Sobre a greve de fome, a perícia diz que “não parece constituir obstáculo ao regime prisional”, já que Zambelli tem recebido medicação e hidratação adequadas.
A especialista ainda afirma não ver impedimento para que a parlamentar viaje de avião, caso seja extraditada ao Brasil, recomendando apenas cuidados médicos durante o deslocamento.
Zambelli está presa desde 29 de julho. Na última audiência, obteve autorização para usar medicamentos dentro da prisão. A defesa da deputada, no entanto, contesta o laudo e apresentará nova avaliação médica que recomenda a soltura.
Em maio, a Primeira Turma do STF condenou Zambelli a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do CNJ em parceria com o hacker Walter Delgatti. Em junho, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão, bloqueou seus bens e pediu inclusão na difusão vermelha da Interpol.
Na última sexta-feira (22), o STF aplicou nova pena de 5 anos e 3 meses de prisão pela perseguição armada a um apoiador de Lula em 2022. A defesa recorre.
A audiência desta quarta definirá se haverá afrouxamento da prisão em Roma ou se a Justiça italiana manterá a detenção e autorizará a extradição.
