Fux abre caminho para nulidade do julgamento da suposta trama golpista
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Fux abre caminho para nulidade do julgamento da suposta trama golpista

Ministro Luiz Fux sugere envio do processo à primeira instância e nulidade da ação penal
Ministro Luiz Fux sugere envio do processo à primeira instância e nulidade da ação penal

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

STF pode perder competência sobre ação penal de Bolsonaro

O ministro Luiz Fux, do STF, indicou nesta quarta-feira (10) um caminho que pode levar à nulidade do julgamento da suposta trama golpista no futuro.

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“A improcedência da acusação no meu modo de ver é manifesta e se resolve no plano da tipicidade. Não estão presentes as condições necessárias para a classificação da conduta narrada na inicial como organização criminosa”, argumentou o ministro.

Fux votou a favor do envio do processo à primeira instância e da anulação de toda a ação penal, argumentando que a maior parte dos réus perdeu o foro especial.

“Concluo assim pela incompetência absoluta do STF nesse processo, uma vez que os denunciados já haviam perdido os seus cargos. Impõe-se a nulidade de todos os atos processuais praticados”, disse o ministro.

O voto de Fux traça um possível caminho para a nulidade do processo sem analisar o mérito das supostas “iniciativas golpistas” do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados próximos, focando na competência do STF e em precedentes recentes.

A dupla incidência de “golpe de Estado” e “abolição violenta do Estado” revelou-se equivocada, diz Fux.

Fux chegou a citar também decisão do julgamento do mensalão que anulou o crime de formação de quadrilha para o ex-ministro José Dirceu e indicou que não vê crime de organização criminosa na ação do golpe. O ministro reforlou que há diferença entre o chamado concurso de agentes, quando duas ou mais pessoas atuam para cometer algum crime, e o crime de organização criminosa, que envolve um grupo organizado com hierarquia própria e contato constante para causar crimes.

O cenário político também influencia a análise. Em 2026 haverá eleição presidencial, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, é apontado como candidato da direita competitivo em pesquisas. Tarcísio declarou não acreditar na Justiça do Supremo e prometeu indultar Bolsonaro caso eleito.

Durante seu mandato (2027-2030), Tarcísio poderá indicar três ministros do STF: substituindo Fux (2028), Cármen Lúcia (2029) e Gilmar Mendes (2030). Juntando esses nomes a Kassio Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Bolsonaro, e a Dias Toffoli, seria possível formar uma maioria capaz de validar o voto de Fux e anular os atos da trama golpista em gestões futuras da presidência do Supremo.

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