O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, publicou um artigo na revista Teoria e Debate, do diretório do PT de São Paulo, em que defende que “isolar a extrema direita” é um passo essencial para a soberania nacional. Segundo Dirceu, as sanções impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil contam com o apoio da extrema direita brasileira, o “única interessada e, na verdade, coautora” da medida.
Para ele, o único objetivo do grupo político é “livrar Jair Bolsonaro do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal e da prisão definitiva”.
Dirceu também afirmou que o republicano norte-americano defende a “não punibilidade” de Bolsonaro para evitar que se crie um precedente que possa ser usado contra ele próprio, caso seja julgado. O ex-ministro atribuiu as sanções a interesses econômicos do setor de tecnologia dos EUA.
“O que realmente irrita Trump é a possibilidade de o Brasil tornar inúteis os cartões de crédito e outros meios de pagamento digitais adotados por empresas norte-americanas, daí sua briga contra o Pix brasileiro, e a possibilidade de regular e taxar as plataformas digitais”, disse Dirceu, que ainda pontuou que as chamadas “big techs” apoiam fortemente o presidente norte-americano.
Para Dirceu, o Brasil deve negociar para evitar novas sanções, mas também deve usar a crise para se mobilizar. Ele citou o manifesto “Unidade em Defesa do Brasil”, assinado por partidos de esquerda, e o ato do grupo suprapartidário Direitos Já!, previsto para 15 de setembro, como oportunidades para avançar em agendas como a reforma tributária, a revisão de renúncias fiscais e investimentos em infraestrutura e tecnologia.
Segundo ele, o manifesto demonstra que “defender a nossa pátria e sua soberania é condição de ser brasileiro” e que “a taxação imposta por Trump vincula-se ao seu apoio político à impunidade de Bolsonaro e dos demais traidores da pátria”.
