O advogado Paulo Cunha Bueno, que defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou nesta quarta-feira (10) que a delação premiada de Mauro Cid “não deveria existir” e chamou o ex-ajudante de ordens de “mentiroso”. A declaração foi feita na entrada do Supremo Tribunal Federal (STF), a CNN Brasil, antes da sessão que pode resultar na condenação de Bolsonaro.
“A delação tem que ser derrubada até para não criar um precedente de jurisprudência horroroso para o país. A delação do Cid é uma coisa que não deveria existir. É um mentiroso”, disse o advogado.
Na sessão de terça-feira (9), o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, defendeu a validade da delação de Cid. Para ele, omissões nos depoimentos não anulam as provas apresentadas, podendo, no máximo, levar à redução dos benefícios concedidos ao colaborador. Moraes também rebateu críticas ao número de depoimentos prestados por Cid, afirmando que as falas tratam de temas distintos e não são contraditórias.
Votos de Moraes e Dino abriram a semana
O relator votou pela condenação de Bolsonaro e de outros sete acusados, apontando o ex-presidente como líder do grupo que teria tramado um golpe de Estado. Seu voto durou cerca de cinco horas e foi apresentado em 13 tópicos com apoio de quase 70 slides.
O ministro Flávio Dino acompanhou o voto de Moraes, abrindo o placar de 2 a 0 pela condenação. O julgamento será concluído com os votos de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, presidente da Turma. A maioria se forma com três votos.
