Eduardo Bolsonaro alerta sobre piora de tarifaço e diz que Lula entregou o Brasil à China - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Eduardo Bolsonaro alerta sobre piora de tarifaço e diz que Lula entregou o Brasil à China

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) concedeu uma entrevista explosiva ao programa Alive nesta quarta-feira (19), onde abordou temas como a política comercial dos Estados Unidos sob Donald Trump, o impacto das tarifas sobre o Brasil e o que classificou como a “submissão” do governo Lula à China. O parlamentar, que está licenciado do mandato para atuar nos EUA contra as ações do ministro Alexandre de Moraes, criticou duramente a condução da diplomacia brasileira e alertou para um possível agravamento das relações comerciais com Washington.

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Eduardo Bolsonaro revelou que o presidente Donald Trump está determinado a impor medidas mais rígidas contra países que, na sua visão, exploram os EUA comercialmente. Segundo o deputado, o Brasil pode ser um dos alvos, devido à ausência de articulação do governo Lula para evitar novas sanções.

“O Trump, ele tem um jeito muito agressivo de começar esse tipo de relação com outros países que não atendem aquilo que ele deseja. Ele tem falado, sim, muito em reciprocidade. Se você for ver a média do produto americano que entra no Brasil, o quanto que é tarifado, e depois ver a média do produto brasileiro entrando nos Estados Unidos, o quanto que é tarifado, é algo bizarro”, afirmou.

Para Eduardo, a falta de uma estratégia eficiente por parte do governo brasileiro pode resultar no aumento das tarifas sobre produtos nacionais. “A tendência que eu vejo é que isso daí aumente. Por quê? Porque não está sendo feito um trabalho de bastidor para evitar esse tipo de tarifa”, criticou.

O parlamentar também sugeriu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode estar deliberadamente permitindo que o Brasil perca espaço nos EUA para se tornar ainda mais dependente da China. “Eu já começo até a suspeitar se o Lula não está desejando esse tipo de coisa para aumentar a sua dependência da China e realmente virar o Brasil mais ainda para uma parceria estratégica com o governo comunista de Xi Jinping”, apontou.

A aliança entre Lula e Pequim tem sido alvo de críticas frequentes da oposição, que vê o alinhamento como prejudicial à soberania brasileira. Eduardo mencionou ainda um episódio da primeira gestão petista para ilustrar a proximidade do governo com regimes autoritários. “Se você for ver, Hugo, no passado o governo Lula 1 era bem diferente desse atual. O atual está muito ideológico. No passado, eles conseguiram, por exemplo, reverter a proibição de visto americano para o José Dirceu”, recordou, citando o ex-ministro petista envolvido em escândalos de corrupção.

Outro ponto abordado por Eduardo Bolsonaro foi a política dos EUA em relação à Venezuela. Ele destacou que, enquanto o presidente Joe Biden havia flexibilizado sanções contra o regime de Nicolás Maduro, Trump já retomou medidas punitivas contra o país vizinho. “O Trump está sancionando novamente a Venezuela, pouco se importando se isso vai também jogar a Venezuela mais ainda para o colo dos chineses e dos russos”, disse.

O parlamentar reforçou que o endurecimento das sanções pode influenciar diretamente o Brasil, especialmente no setor energético, onde há grande dependência do fornecimento de gás e petróleo venezuelanos.

Na entrevista, Eduardo Bolsonaro ainda exaltou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como exemplo de liderança conservadora e eficiente. Ele destacou como Bukele conseguiu realizar mudanças estruturais apenas depois de consolidar uma maioria esmagadora no Legislativo.

“Se você for pegar ali, o Bukele começou em 2019, e em 2021 teve eleição de meio de mandato, assim como nos Estados Unidos. Foi aí que ele conseguiu colocar a esmagadora maioria de congressistas, formando uma maioria para até alterar a Constituição”, explicou.

O deputado fez um paralelo com o Brasil e a necessidade de Jair Bolsonaro ter maioria no Congresso para governar sem obstáculos impostos pelo Judiciário. *“O Bolsonaro não tem vocação de ditador, ele é um estadista. Ele quer fazer tudo dentro da Constituição. Eu tenho 50% do Congresso, o que eu faço? O Brasil acontecer”*, concluiu.

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