CPMI do INSS: 'Fraudes não ocorreriam sem apoio político', diz Viana
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

CPMI do INSS: ‘Fraudes não ocorreriam sem apoio político’, diz Viana

O presidente da CPMI também criticou a falta de colaboração da base governista nas investigações

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Senador denuncia conivência de servidores públicos e dificuldades nas investigações

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira (23), o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), fez duras críticas à atuação de servidores públicos e figuras políticas envolvidas no esquema de desvio de recursos da Previdência Social.

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“Minha convicção é firme: apesar das tentativas de justificar e do silêncio de alguns, o que sugere relutância em corroborar os dados, os valores envolvidos são expressivos e desproporcionais a quaisquer estudos, treinamentos ou resultados de pesquisa”, afirmou.

Segundo o senador, “essa ação contou com a conivência de servidores públicos que atuaram em diferentes governos e que falharam em cumprir suas responsabilidades”.

“Reafirmo que os responsáveis pelo desvio de recursos da Previdência Social não teriam agido sem apoio político. Houve apoio político e jurídico por parte daqueles que deveriam zelar pela Previdência, o que não ocorreu. Dificilmente um desfalque dessa magnitude ocorreria sem a colaboração de diversos servidores públicos”, criticou.

Viana mencionou também que servidores sob suspeita foram reintegrados a seus cargos, mesmo após terem recebido orientações para não realizar determinadas ações, “como o lançamento em lotes de milhares de nomes de aposentados.”

“Além de serem reconduzidos, assumiram processos e autorizaram as empresas, ou melhor, as associações, a prosseguir com os desvios”.

Presidente da CPMI pede colaboração da base governista

O presidente da CPMI também criticou a falta de colaboração da base governista nas investigações, mencionando a dificuldade em aprovar diversos requerimentos de convocação de autoridades e servidores para depor.

“Considerando as informações levantadas, a expectativa é que o governo e sua base de apoio colaborem para que todos os envolvidos sejam ouvidos, seja para comprovar inocência, seja para exercer o direito ao silêncio”.

Por fim, disse confiar que o Supremo Tribunal Federal (STF), através do ministro André Mendonça, analisará os pedidos de prisão “e, inclusive, os requerimentos de retenção de passaportes, caso as prisões não sejam decretadas”.

Depoimentos dessa quinta-feira (23)

A sessão dessa quinta-feira (23) segue ouvindo o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho. Mais cedo, contou também com o depoimento da esposa de Virgílio, a empresária e médica Thaisa Hoffmann Jonasson.

Virgílio foi questionado sobre investigações que apontam enriquecimento ilícito incompatível com seus rendimentos como servidor público, enquanto Thaisa foi interrogada sobre transações financeiras suspeitas.

Ambos se mantiveram em silêncio sobre essas questões específicas, amparados por habeas corpus concedido pelo STF.

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