Requerimento apresentado por Chrisóstomo novamente pede depoimento do irmão de Lula na comissão
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pode voltar a convocar José Ferreira da Silva, o Frei Chico, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e Idosos (Sindnapi) e irmão do presidente Lula (PT).
O requerimento foi apresentado nesta segunda-feira (20) pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), apontando inconsistências e indícios de omissão de informações no depoimento da assessora jurídica da entidade, Tonia Andrea Inocentini Galleti.
Segundo o parlamentar, a oitiva de Galleti apresentou contradições relevantes sobre o papel exercido por Frei Chico na estrutura do sindicato. Para ele, embora a assessoria afirme que ele possuía apenas uma função simbólica, documentos e investigações apontam que sua posição pode ter sido estrategicamente influente, especialmente após sua nomeação como vice-presidente em 2021.
Outro ponto abordado para embasar o documento envolve a omissão do parentesco de Frei Chico com o presidente da República durante a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica com o INSS, “violando a Lei 13.019/2014, que proíbe parcerias com entidades ligadas a parentes de autoridades públicas”.
Por fim, o pedido aponta discrepâncias no depoimento de Tonia sobre a participação de Frei Chico em reuniões importantes.
“Ela inicialmente nega participação em reuniões conjuntas, mas depois recorda uma em 2023 com o Ministro Lupi, e confirma que ele era sócio desde pelo menos 2008, tornando-se diretor em 2021”, diz trecho.
Além disso, o Chrisóstomo destaca que, apesar das negativas sobre qualquer indicação política, reportagens da imprensa, como da revista Veja, sugerem que a nomeação de Frei Chico teria sido articulada pelo próprio Lula, para “acomodá-lo” no sindicato.
De acordo com o texto do requerimento, essas evidências reforçam a hipótese de que Frei Chico exerceu um papel mais diretivo e influente do que o oficialmente descrito, blindado por conexões familiares e políticas com o governo federal.
A apresentação do novo requerimento ocorre em um momento de forte embate dentro da CPMI. Na semana passada, aliados da base governista barraram 11 requerimentos de convocação, incluindo um para o próprio Frei Chico.
A orientação partiu do líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e resultou em uma derrota da oposição por 19 votos a 11.
