Brasil quer usar blockchain no Brics sem provocar Trump - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Brasil quer usar blockchain no Brics sem provocar Trump

Indian Prime Minister Narendra Modi, China's President Xi Jinping, South Africa's President Cyril Ramaphosa, Russia's President Vladimir Putin and Brazil's President Michel Temer pose for a group picture at the BRICS summit meeting in Johannesburg, South Africa, July 26, 2018. REUTERS/Mike Hutchings

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Por Redação

O governo Lula planeja propor o uso da tecnologia blockchain para facilitar transações comerciais entre países do Brics, evitando a criação de uma moeda comum ou alternativas ao dólar. A ideia é aumentar a eficiência nos contratos de importação e exportação, reduzindo custos de pagamentos entre os membros do bloco, que agora inclui Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia.

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A proposta surge enquanto Trump, de volta à Casa Branca, endurece o tom contra tentativas de enfraquecer a hegemonia do dólar. “Vamos exigir um compromisso desses países aparentemente hostis de que eles não criarão uma nova moeda nem apoiarão qualquer outra moeda para substituir o poderoso dólar americano, caso contrário, enfrentarão 100% de tarifas e deverão dizer adeus às vendas para a maravilhosa economia dos EUA”, escreveu Trump na rede Truth Social.

O governo brasileiro evita o confronto. Autoridades envolvidas garantem que a proposta não busca antagonizar os EUA e que a agenda de facilitação comercial do Brics precisa ser tratada com “seriedade, cautela e solidez técnica”. O objetivo seria criar um sistema seguro para impulsionar o comércio e o fluxo de capital global.

O tema será discutido na cúpula do Brics em julho, no Rio de Janeiro. O Banco Central (BC) e o Ministério da Fazenda estudam a viabilidade de um sistema baseado em blockchain. O BC já trabalha no Drex, versão digital do real, mas enfrenta dificuldades para garantir segurança e privacidade. “Conclui-se que é necessário maior aprofundamento para garantir a adequação da plataforma aos requisitos de privacidade, proteção de dados e segurança”, afirmou o BC após a primeira fase de testes.

Outra possibilidade avaliada é a integração de sistemas similares ao Pix para transações internacionais, mas há impasses sobre governança e soberania. Lula defende a busca por alternativas. “Não se trata de substituir nossas moedas, mas é preciso trabalhar para que a ordem multipolar que almejamos se reflita no sistema financeiro internacional”, já afirmou o petista.

A posição do Brasil no Brics sobre o tema ocorre enquanto Trump endurece sua retórica protecionista. O governo petista tenta equilibrar a necessidade de facilitar o comércio entre os emergentes sem provocar retaliações dos EUA.

 

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