Destino de Eduardo Bolsonaro está nas mãos do STF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Destino de Eduardo Bolsonaro está nas mãos do STF

Primeira Turma decidirá se ex-deputado será condenado por coação à Justiça em caso relacionado à atuação nos Estados Unidos

Ministro Alexandre de Moraes
Ministro Alexandre de Moraes. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro Alexandre de Moraes liberou nesta quarta-feira (3) para julgamento a ação penal contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Com a conclusão da fase de instrução, caberá agora ao presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Flávio Dino, definir a data da análise do caso.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A ação apura a suposta prática do crime de coação à Justiça. Segundo a acusação, Eduardo teria atuado nos Estados Unidos para buscar sanções contra autoridades brasileiras e contra o próprio Brasil com o objetivo de influenciar o andamento de processos judiciais relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O processo teve origem em denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 21 de setembro de 2025. O órgão utilizou declarações públicas, entrevistas e publicações feitas por Eduardo Bolsonaro para sustentar a acusação.

Em novembro do ano passado, a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia por unanimidade, transformando o ex-deputado em réu.

Acusação cita atuação nos Estados Unidos

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, Eduardo Bolsonaro atuou junto a autoridades e setores políticos americanos para defender medidas contra integrantes do Judiciário brasileiro.

A denúncia afirma que ele buscou associar sanções econômicas e políticas aos processos conduzidos pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo a PGR, o ex-deputado também teria trabalhado para vincular o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos ao STF. O órgão sustenta que Eduardo chegou a se referir às medidas como “tarifa Moraes”.

Lei Magnitsky e sanções internacionais

Entre os episódios citados na acusação está a defesa da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.

A legislação americana permite sanções contra estrangeiros acusados de violações de direitos humanos ou corrupção.

Eduardo Bolsonaro falou publicamente diversas vezes sobre a articulação de medidas internacionais contra autoridades brasileiras. A tentativa de aplicação da legislação contra Moraes acabou não prosperando.

Processo avançou sem participação do ex-deputado

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.

Durante a tramitação da ação penal, ele não compareceu ao interrogatório marcado pelo Supremo Tribunal Federal.

O ex-deputado também não constituiu defesa particular no processo. Diante da ausência de advogados indicados por ele, a Defensoria Pública foi acionada para atuar no caso.

Julgamento dependerá de decisão de Flávio Dino

Com a liberação do processo por Alexandre de Moraes, a próxima etapa será a inclusão da ação na pauta da Primeira Turma.

O colegiado será responsável por decidir se condena ou absolve Eduardo Bolsonaro da acusação de coação à Justiça.

Ainda não há data definida para o julgamento.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade