Tarifaço dos EUA pode elevar sobretaxa contra o Brasil a 37,5%
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Tarifaço dos EUA pode elevar sobretaxa contra o Brasil a 37,5%

Governo calcula que soma de duas investigações americanas pode ampliar pressão sobre exportações brasileiras

07.05.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 
Casa Branca, Washington, D.C.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

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Por Redação

As tarifas propostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros podem alcançar 37,5% caso todas as medidas anunciadas pelo governo americano sejam implementadas. O cálculo é compartilhado por áreas do governo federal, incluindo Itamaraty, Ministério da Fazenda e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

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O percentual resulta da combinação de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A primeira prevê uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras. A segunda propõe uma sobretaxa adicional de 12,5% relacionada ao comércio de produtos associados ao trabalho forçado.

Se confirmadas, as medidas aproximariam a carga tarifária dos cerca de 40% aplicados pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros no ano passado.

Governo aposta em negociação separada das tarifas

Apesar do agravamento da disputa comercial, integrantes do governo avaliam que ainda existe espaço para negociação.

Segundo interlocutores envolvidos nas conversas, a estratégia brasileira é tentar tratar cada investigação de forma independente, buscando reverter ao menos uma das medidas propostas pelo USTR.

A avaliação interna é de que a manutenção dos canais diplomáticos representa um sinal de que as decisões ainda não são definitivas.

Mauro Vieira e representante dos EUA mantêm diálogo

As tarifas estiveram no centro de uma conversa entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

O encontro ocorreu nesta quarta-feira (3), durante reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na França.

De acordo com relatos de participantes, Greer afirmou que Washington permanece aberta ao diálogo sobre as tarifas. Vieira, por sua vez, defendeu o aprofundamento das negociações diante das recomendações apresentadas pelo USTR.

Fontes do governo afirmam que os dois países mantêm um canal de comunicação ativo e que continuam valendo os 30 dias de negociações acordados pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante encontro realizado em Washington.

Duas investigações atingem o Brasil

A primeira investigação foi divulgada pelo USTR na segunda-feira (1º). O relatório recomenda uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros sob a alegação de que determinadas políticas adotadas pelo Brasil “oneram ou restringem” o comércio americano.

Já a segunda conclusão foi apresentada na terça-feira (2) e envolve 60 economias. Segundo o governo americano, esses países não adotaram mecanismos considerados suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

O Brasil foi incluído entre os países sujeitos à proposta de sobretaxa adicional de 12,5%.

Lula endurece discurso

Em meio ao avanço das medidas comerciais, o Lula elevou o tom durante reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto.

Ao comentar a posição americana, Lula afirmou que o Brasil não aceitará o tratamento recebido dos Estados Unidos.

“Nós somos grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil esta semana”, declarou.

O presidente também informou que pretende enviar uma nova carta ao presidente Donald Trump para contestar as recomendações do USTR e defender a posição brasileira.

PIX e soberania entram na estratégia do Planalto

Durante a reunião ministerial, Lula orientou auxiliares a reforçarem a defesa da soberania nacional e do PIX, sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central e citado em documentos americanos sobre práticas comerciais brasileiras.

O tema ganhou destaque na comunicação do governo. Durante o encontro, um slide exibido no telão trazia a frase “O PIX é do Brasil”, mesma mensagem utilizada pelo presidente em agenda realizada na véspera em Catalão, Goiás.

Governo vê impacto político e econômico

A discussão sobre as tarifas dominou a reunião ministerial desta quarta-feira e passou a ser tratada internamente como uma crise com reflexos econômicos e políticos.

O episódio ocorre em meio à aproximação das restrições previstas pela legislação eleitoral e ao aumento das tensões entre Brasília e Washington.

Mesmo diante do discurso mais duro adotado por Lula, auxiliares do governo afirmam que as negociações permanecem abertas e que ainda existe possibilidade de revisão das medidas antes da decisão final do governo americano.

Ao comentar a possibilidade de impasse nas conversas, o presidente sinalizou que o Brasil poderá ampliar suas relações comerciais com outros mercados.

“Se não quiser comprar a gente vai vender para quem quiser comprar”, afirmou.

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