Gilmarpalooza termina com defesa de Moraes e regulação das big techs
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Gilmarpalooza termina com defesa de Moraes e regulação das big techs

Encerramento do Fórum de Lisboa reuniu ministros, autoridades e especialistas em debates sobre democracia, tecnologia, soberania e economia global

Gilmarpalooza termina com defesa de Moraes, e regulação das big techs
Gilmarpalooza termina com defesa de Moraes, e regulação das big techs

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O 14º Fórum de Lisboa chegou ao fim hoje (3) com uma programação marcada por debates sobre inteligência artificial, regulação das plataformas digitais, democracia, economia e soberania nacional. O encerramento reuniu integrantes do Supremo Tribunal Federal, membros do governo, representantes do Ministério Público, acadêmicos e autoridades internacionais.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, o evento teve como tema central “Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios Democráticos, Econômicos e Sociais”.

Ao longo de três dias, mais de 450 palestrantes participaram de cerca de 70 painéis.

Gonet elogia Moraes e recebe aplausos da plateia

Um dos momentos mais comentados do encerramento ocorreu durante a fala do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Ao abordar as condenações relacionadas aos atos de 8 de Janeiro, Gonet afirmou que o Brasil não pode esquecer os episódios que classificou como tentativas de ruptura democrática.

“Parece que nós já esquecemos, mas o mundo não esqueceu”, declarou.

O procurador-geral destacou o papel das instituições na condução dos processos e fez referência direta ao ministro Alexandre de Moraes.

“E eu ousaria destacar a atuação corajosa, a atuação segura, firme e talentosa do relator dessa ação penal, o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.

A declaração foi seguida por aplausos da plateia presente no auditório.

Segundo Gonet, a atuação das instituições brasileiras continua sendo observada internacionalmente como exemplo de reação a tentativas de ruptura institucional.

Moraes defende regra global para redes sociais

Também presente no evento, Alexandre de Moraes voltou a defender a regulamentação das plataformas digitais.

Durante painel sobre democracia e polarização, o ministro afirmou que há necessidade de uma coordenação internacional para enfrentar os desafios impostos pelas big techs.

“Assim como em 1945, pós-guerra, se sentiu a necessidade de uma declaração de direitos pela ONU, há necessidade de os países democráticos se unirem para uma regulamentação internacional”, declarou.

Moraes classificou como urgente a criação de regras globais para o funcionamento das plataformas.

Segundo ele, a evolução tecnológica poderá dificultar futuramente a capacidade dos Estados de fazer cumprir decisões judiciais em seus territórios.

“Daqui a pouco tempo, poucos anos, os países não terão a tecnologia necessária para impedir veiculação no seu território”, afirmou.

Gilmar rebate críticas e reforça defesa das instituições

Na sessão de encerramento, o ministro Gilmar Mendes respondeu a críticas sobre um suposto esvaziamento do Fórum de Lisboa.

O magistrado ironizou comentários feitos nos bastidores e ressaltou a consolidação do evento como espaço de discussão jurídica e institucional.

Gilmar também destacou a importância do constitucionalismo diante do crescimento da polarização política observada em diferentes regiões do mundo.

Ao tratar dos desafios atuais, defendeu o fortalecimento das instituições democráticas e da ordem constitucional.

Coordenador rejeita rótulo político

O coordenador científico do Fórum, Carlos Blanco de Morais, afirmou que o encontro não deve ser interpretado como espaço de disputa partidária.

“O fórum não é um espaço para a pequena política, é um espaço para o debate, para o diálogo”, declarou.

O professor destacou a participação de representantes de diferentes correntes jurídicas e ideológicas durante os debates.

Segundo ele, a edição deste ano ampliou a integração entre países de língua portuguesa, reunindo representantes de Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde.

Morais também alertou para os desafios trazidos pela inteligência artificial e pela robotização.

“Seguida também de um desenvolvimento exponencial da inteligência artificial e da robotização, que vai alterar drasticamente o sistema de trabalho e interfere em todos os domínios da vida coletiva”, afirmou.

Nobel alerta para desinformação e perda de confiança

Entre os convidados internacionais do último dia esteve o economista Joel Mokyr, vencedor do Nobel de Economia e professor da Northwestern University.

Durante sua exposição, Mokyr abordou os impactos das novas tecnologias sobre o desenvolvimento econômico e demonstrou preocupação com o crescimento da desinformação.

“O problema hoje é que a tecnologia moderna torna mais fácil para charlatães e teóricos da conspiração enganarem o público”, disse.

Segundo o economista, a confiança em especialistas e instituições vem se deteriorando em diferentes partes do mundo.

“A confiança nos especialistas está se deteriorando em todo o mundo. Isso é perigoso”, declarou.

Para Mokyr, o avanço econômico depende diretamente da credibilidade institucional.

“O progresso depende da tecnologia da confiança”, afirmou.

Galípolo vê Brasil mais preparado para enfrentar choques externos

Outro destaque da programação foi a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Durante painel sobre economia internacional, ele avaliou que o Brasil se encontra em posição relativamente favorável para enfrentar turbulências globais.

“O Brasil se mostrou relativamente mais bem posicionado do que outros países para enfrentar esses choques, por causa de características específicas benéficas de sua economia”, declarou.

Galípolo atribuiu parte dessa condição à diversificação dos parceiros comerciais brasileiros.

O presidente do Banco Central também comentou expectativas criadas após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e as projeções de fortalecimento da economia americana.

Petrobras defende transição energética gradual

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, participou dos debates sobre energia e transição energética.

Ela defendeu que a substituição dos combustíveis fósseis ocorra de forma gradual e compatível com as necessidades atuais da economia mundial.

Segundo Chambriard, a demanda por petróleo continuará relevante nos próximos anos, mesmo diante do avanço das energias renováveis.

“O aumento da substituição do petróleo pela guerra irá acelerar a produção de novas tecnologias e pesquisas com a finalidade de procurar um novo patamar energético mundial”, afirmou.

A executiva também avaliou que os efeitos das atuais tensões internacionais sobre o setor energético poderão permanecer por vários anos.

Ex-presidente da Colômbia defende investimentos e democracia

O ex-presidente colombiano Iván Duque participou das discussões sobre desenvolvimento econômico e democracia na América Latina.

Em sua apresentação, defendeu a atração de investimentos privados como ferramenta para impulsionar o crescimento da região.

Duque também alertou para os desafios impostos pela reorganização da ordem internacional e pela crescente polarização política observada em diversos países.

Após a palestra, Gilmar Mendes elogiou publicamente a contribuição do ex-presidente colombiano para os debates do Fórum.

Bastidores movimentados

Além dos painéis oficiais, o último dia manteve intensa movimentação nos bastidores.

Autoridades, empresários, magistrados e advogados participaram de encontros reservados, reuniões institucionais e agendas paralelas espalhadas por Lisboa.

O Fórum voltou a reunir integrantes dos três Poderes, representantes do setor privado e lideranças internacionais em um dos principais eventos jurídicos e políticos realizados por brasileiros no exterior.

Ao encerrar a edição de 2026, o encontro consolidou temas como inteligência artificial, regulação das plataformas digitais, democracia, soberania e economia global no centro das discussões promovidas na capital portuguesa.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade