Operação policial descobre uso de empresas fictícias e laranjas para fraudar programa social e sustentar redes de narcotráfico
A Polícia Federal desmantelou uma rede criminosa que desviou cerca de R$ 40 milhões do programa Farmácia Popular, utilizando farmácias de fachada para lavar dinheiro do tráfico e financiar a compra de cocaína na Bolívia e no Peru. A operação, detalhada no Fantástico (TV Globo) no último domingo (20), mostrou a sofisticação do esquema, que operava em várias regiões do Brasil.
Criminosos usavam CPFs e endereços de pessoas comuns para simular compras de medicamentos subsidiados pelo Estado. Empresas abertas com CNPJs de laranjas formalizavam as fraudes. A investigação começou após a apreensão de 191 quilos de drogas com um caminhoneiro em Luziânia (GO), que partiu de Rondônia.
Parte da carga chegou a Ribeirão Preto (SP), e o restante seria entregue a Clayton Soares da Silva, dono de farmácias em Pernambuco e no Rio Grande do Sul, preso em flagrante junto ao motorista. Documentos e mensagens no celular de Clayton expuseram a quadrilha.
A PF identificou Fernando Batista da Silva, conhecido como Fernando Piolho, como líder da organização. Ele usava o nome da filha para abrir empresas, como a Construarte, que recebeu mais de R$ 500 mil de traficantes. Fernando mantinha laços com o Comando Vermelho e destinava recursos ao Clã Cisneros, grupo peruano de produção de cocaína. A esposa de um integrante do clã também se beneficiava. A defesa de Fernando nega envolvimento.

Em Águas Lindas de Goiás (GO), moradores do Portal da Barragem descobriram que duas farmácias populares inexistentes receberam quase R$ 500 mil do programa.
A PF encontrou ainda estabelecimentos registrados em terrenos baldios, como um lote coberto de mato com telefone da Paraíba. As investigações prosseguem, com possibilidade de novas prisões.
