Tráfico frauda Farmácia Popular em R$ 40 milhões - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Tráfico frauda Farmácia Popular em R$ 40 milhões

Esquema milionário usa Farmácia Popular para financiar tráfico internacional - Foto: ilustração

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Por Henrique Soldani

Operação policial descobre uso de empresas fictícias e laranjas para fraudar programa social e sustentar redes de narcotráfico

A Polícia Federal desmantelou uma rede criminosa que desviou cerca de R$ 40 milhões do programa Farmácia Popular, utilizando farmácias de fachada para lavar dinheiro do tráfico e financiar a compra de cocaína na Bolívia e no Peru. A operação, detalhada no Fantástico (TV Globo) no último domingo (20), mostrou a sofisticação do esquema, que operava em várias regiões do Brasil.

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Criminosos usavam CPFs e endereços de pessoas comuns para simular compras de medicamentos subsidiados pelo Estado. Empresas abertas com CNPJs de laranjas formalizavam as fraudes. A investigação começou após a apreensão de 191 quilos de drogas com um caminhoneiro em Luziânia (GO), que partiu de Rondônia.

Parte da carga chegou a Ribeirão Preto (SP), e o restante seria entregue a Clayton Soares da Silva, dono de farmácias em Pernambuco e no Rio Grande do Sul, preso em flagrante junto ao motorista. Documentos e mensagens no celular de Clayton expuseram a quadrilha.

A PF identificou Fernando Batista da Silva, conhecido como Fernando Piolho, como líder da organização. Ele usava o nome da filha para abrir empresas, como a Construarte, que recebeu mais de R$ 500 mil de traficantes. Fernando mantinha laços com o Comando Vermelho e destinava recursos ao Clã Cisneros, grupo peruano de produção de cocaína. A esposa de um integrante do clã também se beneficiava. A defesa de Fernando nega envolvimento.

PF desmonta rede que desviou R$ 40 milhões para o crime organizado – Foto: ilustração

Em Águas Lindas de Goiás (GO), moradores do Portal da Barragem descobriram que duas farmácias populares inexistentes receberam quase R$ 500 mil do programa.

A PF encontrou ainda estabelecimentos registrados em terrenos baldios, como um lote coberto de mato com telefone da Paraíba. As investigações prosseguem, com possibilidade de novas prisões.

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