A Polícia Federal (PF) está analisando os contratos firmados entre o Ministério da Saúde e a distribuidora de medicamentos Star Pharma, empresa citada em investigações relacionadas à Operação Carbono Oculto. Os acordos, assinados entre abril de 2024 e maio de 2026, somam cerca de R$ 220 milhões e envolvem o fornecimento de insulina e preservativos ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Os documentos foram encaminhados pelo Ministério da Saúde à Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor), da Superintendência da PF no Distrito Federal, em maio deste ano. A análise ocorre sob sigilo.
Segundo a investigação, a Star Pharma aparece em um inquérito por supostas ligações com a rede de negócios de Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e de Roberto Leme, o “Beto Louco”, investigados por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes financeiros. Até o momento, a PF não informou se existe uma investigação específica contra a empresa.
Em nota, a corporação afirmou apenas que “não confirma nem se manifesta sobre eventuais investigações em andamento”.
Antiga sócia é citada pelo MP
A Star Pharma foi incluída pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) entre empresas supostamente ligadas, direta ou indiretamente, a Primo, conforme representação que deu origem à Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025.
O MP sustenta que a empresária Andrea Cristina Alves Borges, única sócia da distribuidora até novembro de 2025, teria atuado como “laranja” em empresas vinculadas ao grupo investigado. Ela também é mencionada em outro desdobramento das investigações, a Operação Fluxo Oculto, realizada em maio de 2026.
De acordo com a Promotoria, mensagens e áudios atribuídos a Andrea indicariam sua participação na reorganização financeira de empresas investigadas após o avanço das apurações. Em uma das conversas, ela descreve um plano para concentrar a movimentação financeira de 56 postos de combustíveis em um único CNPJ, utilizando uma plataforma de pagamentos.
Apesar das citações nos inquéritos, a Star Pharma e Andrea não foram alvos das operações policiais, e as investigações em curso não têm como foco os contratos firmados com o SUS.
Licitações e posição da empresa
Os principais contratos da distribuidora decorrem de um pregão realizado em 2024 para aquisição de insulina. Durante a licitação, a farmacêutica Emanuela Medrades atuou representando a Star Pharma e outra empresa concorrente, a Medicpharma. O edital vedava a participação de empresas com vínculos entre si ou atuação em conluio.
No ano passado, as duas empresas negaram qualquer irregularidade no processo licitatório.
A Star Pharma afirmou que a análise da Polícia Federal “comprovará a total correção e integridade das práticas adotadas pela empresa”. A distribuidora informou ainda que solicitará uma auditoria dos contratos celebrados com o Ministério da Saúde para demonstrar “a absoluta conformidade e ética” de sua atuação.
Ministério da Saúde nega irregularidades
O Ministério da Saúde informou que não foi notificado sobre eventual investigação envolvendo a pasta e afirmou não ter identificado indícios de irregularidades nos processos licitatórios.
Segundo a pasta, “os contratos foram realizados por meio de licitação pública em que a vencedora apresentou preços cerca de 30% menores e atendeu aos requisitos legais exigidos a todos os concorrentes”.
O ministério acrescentou que a legislação não permite avaliar individualmente representantes das empresas participantes das licitações e reiterou que os processos analisados não apresentaram inconsistências.