“Lula cavou o pênalti”, diz Flávio sobre tarifas dos EUA
Brasília, Quarta, 15 de julho de 2026
Política

“Lula cavou o pênalti”, diz Flávio sobre tarifas dos EUA

Senador afirma que governo provocou a reação de Donald Trump, nega atuação de Eduardo Bolsonaro pelas tarifas e diz ter tentado impedir a medida nos EUA

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Em entrevista ao Flow Podcast hoje (15), o senador Flávio Bolsonaro criticou duramente o governo Lula pelas tarifas comerciais impostas pelos EUA. Ele afirmou que o presidente Lula teria “cavado” a penalidade de 25% nos produtos brasileiros e garantiu que nem ele nem seu irmão Eduardo Bolsonaro trabalharam para essas medidas. Flávio também relatou ter participado de audiência pública do USTR nos EUA para tentar adiar a aplicação das tarifas até depois das eleições.

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Na entrevista, Flávio disse que o governo Lula “almejou essas tarifas a todo custo” como forma de obter um ganho eleitoral. Segundo ele, a narrativa de que o deputado Eduardo Bolsonaro teria incentivado Trump a taxar o Brasil é falsa. Flávio afirmou que Eduardo nunca atuou nesse sentido, ao contrário de Lula, que, desde o início do governo, teria provocado os EUA com ofensas e “pancadas” constantes. “O Lula cavou o pênalti com muita força, cara. Ele queria essas tarifas para conseguir um efeito eleitoral a favor dele”, afirmou.

Em Washington, o senador participou de audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) marcada para 6 de julho. Em documento enviado ao órgão, ele pediu a suspensão das tarifas por 180 dias, argumentando que, após as eleições de outubro de 2026, o cenário político brasileiro será completamente diferente.

“O Brasil realiza eleições gerais em outubro de 2026, e o cenário político que determina a viabilidade de qualquer resolução negociada será redefinido em aproximadamente noventa dias”, registrou Flávio em sua manifestação. No discurso à USTR, ele também criticou o momento da imposição das taxas, destacando que a proximidade do pleito elevava seu caráter político.

O senador afirmou ter preparado uma defesa técnica contra as tarifas propostas, relacionando-as à legislação comercial americana (Seção 301). Ele explicou que, além de citar dados econômicos, mencionou preocupações geopolíticas, dizendo que um presidente brasileiro a partir de 2027 negociaria com os EUA em bases iguais e sem tarifas na mesa, aproveitando a segurança alimentar e energética do país. Segundo Flávio, a intenção era sensibilizar as autoridades americanas, independentemente do resultado das eleições, uma vez que qualquer futuro governo brasileiro teria de lidar com o tema. O USTR deve decidir até 15 de julho sobre a nova sobretaxa de 25% aplicada a vários produtos brasileiros, que já exclui itens como carne bovina, café e terras raras.

Restrições da UE e China às exportações brasileiras

Além das tarifas americanas, Flávio Bolsonaro criticou medidas recentes da União Europeia e da China que afetam exportações brasileiras, atribuindo-as à “incompetência” do governo Lula. Ele lembrou que, em maio de 2026, a UE retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco devido a exigências sanitárias (uso de antibióticos na pecuária). Essa exclusão, que entra em vigor em 3 de setembro de 2026, atinge exportações de carnes bovina, aves, mel, entre outros, e é vista como um duro golpe para o agronegócio brasileiro.

Flávio também mencionou a decisão da China de impor uma tarifa extra de 55% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem uma cota anual (cerca de 1,1 milhão de toneladas). Essa medida chinesa já está em vigor desde janeiro de 2026 e aumenta significativamente o encargo tarifário além da alíquota normal de 12%. Segundo ele, essas restrições sobre as proteínas brasileiras seriam de responsabilidade do governo Lula, que, na visão de Flávio, falhou ao negociar melhor as exportações do setor.

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