O STF começou nesta terça-feira (21) o julgamento que pode transformar 12 investigados em réus por envolvimento em uma organização criminosa acusada de tentar promover um suposto golpe de Estado após as eleições de 2022. A análise ocorre na 1ª Turma da Corte, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Entre os alvos estão 11 militares do Exército, da ativa e da reserva, e um agente da Polícia Federal. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o grupo de planejar ações para monitorar e neutralizar autoridades públicas, além de tentar forçar o alto comando militar a aderir ao plano golpista. As denúncias apontam crimes como tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, organização criminosa armada, golpe de Estado e ameaça ao patrimônio público.
Segundo a PGR, o grupo operava sob orientação de aliados do então presidente Jair Bolsonaro (PL), já denunciado em outro processo junto com ex-ministros e ex-assessores. Os militares, muitos integrantes das Forças Especiais — conhecidos como “kids pretos” —, teriam atuado diretamente na execução do plano.
Veja quem são os acusados:
- Bernardo Romão Corrêa Netto (coronel do Exército)
Teria organizado reuniões entre militares para pressionar os comandantes do Exército. Mantinha contato com Mauro Cid sobre possíveis fraudes nas urnas. - Cleverson Ney Magalhães (coronel da reserva)
Ligado ao Comando de Operações Terrestres, teria atuado sob orientação do general Estevam Theophilo na mobilização da tropa. - Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira (general da reserva)
Acusado de aceitar coordenar a atuação da Força Terrestre conforme orientações do grupo. Aparece em mensagens mostrando disposição em cumprir o plano golpista caso Bolsonaro assinasse o decreto. - Fabrício Moreira de Bastos (tenente-coronel)
Apontado como participante da pressão sobre o alto comando para adesão ao golpe. - Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel)
Acusado de liderar ações para vigiar e neutralizar autoridades. Participou do grupo “Copa 2022”, que discutia a eliminação de ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. - Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel)
Suspeito de atuar no Estado-Maior do Exército. Participou da elaboração da “Carta ao Comandante”, documento utilizado para pressionar a cúpula militar. - Nilton Diniz Rodrigues (general)
Era assistente do comandante do Exército e teria atuado diretamente na pressão sobre o comando. - Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel)
Também membro do grupo “Copa 2022” e envolvido nos planos de eliminação de autoridades. - Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel)
Outro integrante do grupo “Copa 2022”, participou dos mesmos planos e articulações. - Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel)
Envolvido na redação da “Carta ao Comandante”. Teve papel central no vazamento do documento ao jornalista Paulo Figueiredo, da Jovem Pan. - Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel)
Trabalhou ao lado de Ronald Araújo no plano de divulgação da carta para pressionar militares e fomentar apoio à ação. - Wladimir Matos Soares (agente da PF)
É apontado como líder de ações de inteligência contra autoridades. Em áudios obtidos pela PF, ele afirma estar pronto para “prender ministros do STF” e “matar meio mundo” para impedir a posse de Lula.
Se a denúncia for aceita, os 12 investigados se tornam réus e passam a responder em ação penal. Como militares, podem ser impedidos de receber promoções ou até expulsos das Forças Armadas em caso de condenação. O julgamento seguirá ao longo da semana e a decisão depende da maioria da 1ª Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux.
