STF julga núcleo de militares acusados de suposta tentativa de golpe - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

STF julga núcleo de militares acusados de suposta tentativa de golpe

Interrogatórios

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O STF começou nesta terça-feira (21) o julgamento que pode transformar 12 investigados em réus por envolvimento em uma organização criminosa acusada de tentar promover um suposto golpe de Estado após as eleições de 2022. A análise ocorre na 1ª Turma da Corte, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

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Entre os alvos estão 11 militares do Exército, da ativa e da reserva, e um agente da Polícia Federal. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o grupo de planejar ações para monitorar e neutralizar autoridades públicas, além de tentar forçar o alto comando militar a aderir ao plano golpista. As denúncias apontam crimes como tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, organização criminosa armada, golpe de Estado e ameaça ao patrimônio público.

Segundo a PGR, o grupo operava sob orientação de aliados do então presidente Jair Bolsonaro (PL), já denunciado em outro processo junto com ex-ministros e ex-assessores. Os militares, muitos integrantes das Forças Especiais — conhecidos como “kids pretos” —, teriam atuado diretamente na execução do plano.

Veja quem são os acusados: 

  • Bernardo Romão Corrêa Netto (coronel do Exército)
    Teria organizado reuniões entre militares para pressionar os comandantes do Exército. Mantinha contato com Mauro Cid sobre possíveis fraudes nas urnas.
  • Cleverson Ney Magalhães (coronel da reserva)
    Ligado ao Comando de Operações Terrestres, teria atuado sob orientação do general Estevam Theophilo na mobilização da tropa.
  • Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira (general da reserva)
    Acusado de aceitar coordenar a atuação da Força Terrestre conforme orientações do grupo. Aparece em mensagens mostrando disposição em cumprir o plano golpista caso Bolsonaro assinasse o decreto.
  • Fabrício Moreira de Bastos (tenente-coronel)
    Apontado como participante da pressão sobre o alto comando para adesão ao golpe.
  • Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel)
    Acusado de liderar ações para vigiar e neutralizar autoridades. Participou do grupo “Copa 2022”, que discutia a eliminação de ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
  • Márcio Nunes de Resende Júnior (coronel)
    Suspeito de atuar no Estado-Maior do Exército. Participou da elaboração da “Carta ao Comandante”, documento utilizado para pressionar a cúpula militar.
  • Nilton Diniz Rodrigues (general)
    Era assistente do comandante do Exército e teria atuado diretamente na pressão sobre o comando.
  • Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel)
    Também membro do grupo “Copa 2022” e envolvido nos planos de eliminação de autoridades.
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel)
    Outro integrante do grupo “Copa 2022”, participou dos mesmos planos e articulações.
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior (tenente-coronel)
    Envolvido na redação da “Carta ao Comandante”. Teve papel central no vazamento do documento ao jornalista Paulo Figueiredo, da Jovem Pan.
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel)
    Trabalhou ao lado de Ronald Araújo no plano de divulgação da carta para pressionar militares e fomentar apoio à ação.
  • Wladimir Matos Soares (agente da PF)
    É apontado como líder de ações de inteligência contra autoridades. Em áudios obtidos pela PF, ele afirma estar pronto para “prender ministros do STF” e “matar meio mundo” para impedir a posse de Lula.

Se a denúncia for aceita, os 12 investigados se tornam réus e passam a responder em ação penal. Como militares, podem ser impedidos de receber promoções ou até expulsos das Forças Armadas em caso de condenação. O julgamento seguirá ao longo da semana e a decisão depende da maioria da 1ª Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux.

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