Tenente-coronel é acusado de omitir informações em investigação sobre trama golpista
O tenente-coronel Mauro Cid chega ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sob risco de perder benefícios firmados em delação premiada feita há dois anos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o militar de omitir informações relevantes durante o processo.
Cid foi o primeiro militar a firmar acordo de colaboração. A decisão ocorreu duas semanas após seu pai, o general Mauro Lourena Cid, ser alvo de buscas na investigação sobre presentes de Estado recebidos no governo Bolsonaro. Em troca da delação, o ex-ajudante de ordens buscava pena reduzida e proteção judicial a familiares.
Segundo a PGR, Cid deu versões contraditórias e deixou de relatar fatos importantes, como a participação do ex-ministro Walter Braga Netto em reuniões com militares. O órgão pede a condenação por golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, associação criminosa armada e danos ao patrimônio público e privado.
O procurador-geral Paulo Gonet defende que os benefícios da delação sejam mantidos, mas em grau menor. Enquanto a defesa pedia pena máxima de dois anos, o MP solicita apenas redução de um terço.
Entre as acusações, está a reunião de 12 de novembro de 2022, na casa de Braga Netto, para planejar ações de impacto que justificassem a decretação de estado de exceção. Outra reunião, em 28 de novembro, teria contado com militares das Forças Especiais, os chamados “kids pretos”, para redigir uma carta pressionando o comandante do Exército a aderir ao movimento.
A PGR também aponta Cid como “porta-voz de Jair Bolsonaro” nas articulações, embora em outro trecho o descreva como figura central no grupo. A defesa nega, afirmando que ele atuava apenas como ajudante de ordens, sem poder de decisão.
Para o MP, as omissões devem reduzir os benefícios da colaboração. Já a defesa sustenta que Cid não ocultou informações, mas só compreendeu a gravidade de alguns fatos após o avanço das investigações.
