O Supremo Tribunal Federal (STF) começou nesta terça-feira (27) a ouvir as testemunhas de defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Ao todo, 26 pessoas devem ser ouvidas até sexta-feira (30), no processo que apura uma suposta tentativa de golpe para manter Jair Bolsonaro no poder após as eleições de 2022. A oitiva é conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação.
Entre os depoentes desta terça estão: Braulio do Carmo Vieira, Luiz Flávio Zampronha, Alberto Machado, George Estefani de Souza, Djairlon Henrique Moura, Caio Rodrigo Pelim, Saulo Moura da Cunha, Thiago Andrade, Fabrício Rocha, Márcio Nunes, Leo Garrido de Salles, Alessandro Moretti, Marcos Paulo Cardoso, Victor Veiga Godoy e Cíntia Queiroz de Castro.
Nesta semana também devem depor figuras como o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, o ex-AGU Bruno Bianco, o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, além de senadores e líderes partidários — entre eles Ciro Nogueira (PP-PI), Valdemar Costa Neto (PL), Eduardo Girão (Novo-CE) e Esperidião Amin (PP-SC). Na sexta, começam os depoimentos das testemunhas de Bolsonaro, com destaque para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Depoimentos da semana passada
Na etapa anterior da ação, o STF ouviu testemunhas da acusação, como Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e ex-comandantes das Forças Armadas. Em fevereiro, Bolsonaro afirmou que O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que Cid foi torturado para firmar delação premiada.
O general Freire Gomes confirmou a existência de uma minuta para viabilizar um golpe e relatou que advertiu Bolsonaro que o Exército não participaria. Já o ex-comandante da Aeronáutica, Carlos Baptista Junior, disse que o almirante Almir Garnier teria colocado tropas da Marinha à disposição do então presidente e que Bolsonaro cogitou prender Moraes.
A audiência de Aldo Rebelo terminou em tensão. Moraes ameaçou prender o ex-ministro por desacato após discussão sobre declarações de Garnier.
Hamilton Mourão, senador e ex-vice-presidente, disse desconhecer qualquer reunião golpista e responsabilizou o governo Lula pelos eventos do 8 de janeiro. Já Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde, afirmou que apenas consolou Bolsonaro após a derrota e não participou de articulações golpistas.
O julgamento do caso Torres faz parte da ação penal contra o chamado “núcleo 1” do plano de golpe, que tem Bolsonaro e mais sete como réus por tentativa de golpe, organização criminosa e outros crimes relacionados. As oitivas seguem até 2 de junho.
