Saiba por que Gonet pede 43 anos de cadeia contra Bolsonaro - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Saiba por que Gonet pede 43 anos de cadeia contra Bolsonaro

PGR Pede até 43 anos de prisão para Bolsonaro
PGR aponta Bolsonaro como cabeça de trama para derrubar democracia

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Por Henrique Soldani

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu, nesta segunda-feira (14), a condenação de Jair Bolsonaro e de ex-ministros e militares acusados de formar o “núcleo crucial” de um suposto plano para executar um golpe de Estado. Em documento de mais de 500 páginas enviado ao STF, o procurador-geral Paulo Gonet detalha a atuação do ex-presidente como líder da fantasiosa trama, que, segundo o procurador, culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023. A soma das penas pode chegar a 43 anos de prisão.

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Gonet afirmou que a denúncia não se apoia em suposições, mas em provas robustas, já que “a organização criminosa fez questão de documentar quase todas as fases de sua empreitada”. O procurador destaca que Bolsonaro, no exercício da Presidência, “instrumentalizou o aparato estatal e operou, de forma dolosa, esquema persistente de ataque às instituições públicas e ao processo sucessório”.

Segundo ele, o ex-presidente, com apoio de membros do alto escalão e das Forças Armadas, mobilizou recursos estatais para propagar narrativas falsas, provocar instabilidade social e defender medidas autoritárias. “Desde o início de seus atos executórios, a organização criminosa desejou, programou e provocou a eclosão popular”, diz Gonet.

O documento descreve a ação coordenada para “subverter a democracia” e impedir a posse de Lula. “O 8.1.2023, visto de forma retrospectiva, nada mais consistiu do que o desfecho violento que se esperava. O anúncio da denominada ‘Festa da Selma’ foi feito com antecedência. Os convidados chegaram bem preparados, os trajes, em verde e amarelo, estavam coordenados, e as palavras de ordem, uníssonas, se referiam a ‘código fonte’, ‘intervenção federal’, ‘SOS Forças Armadas’, ‘anulação das eleições’, ‘Bolsonaro no poder’, ‘tomada de poder’”, escreve Gonet.

Suposta liderança de Bolsonaro 

O procurador sustenta que Bolsonaro era o “líder enaltecido” pelos manifestantes, cuja pauta refletia um discurso de “radicalização” do ex-presidente, baseado em “fantasias sobre fraudes do sistema eletrônico de votação e em injustas descrenças na lisura dos poderes constitucionais, exatamente nos mesmos moldes da narrativa construída e propagada pela organização criminosa”.

A PGR também destaca o papel de Mauro Cid, que participou de reuniões estratégicas com militares. “Praticamente todos os encontros clandestinos narrados na denúncia contaram com a organização ou participação do réu”, afirma Gonet.

A investigação afirma que o grupo atuava com o objetivo claro de gerar comoção social para justificar um regime de exceção. “Evidenciou-se que a organização criminosa contribuiu, até o último momento, para que a insurgência popular levasse o país a um regime de exceção. Todos os integrantes da estrutura criminosa conheciam o intuito de criação do cenário de comoção social. Essa sempre foi a tônica adotada pelo grupo desde 2021 – gerar desconfiança e animosidade contra as instituições democráticas”, diz Gonet.

Próximos Passos no STF

Com o Judiciário em recesso em julho, o prazo para apresentação das alegações finais segue em curso, pois um dos réus, Walter Braga Netto, está preso. Após as defesas apresentarem suas manifestações, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, elaborará seu voto. O julgamento ocorrerá na Primeira Turma do STF, composta por Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. A expectativa é que o processo esteja pronto para julgamento até setembro.

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