Réus do Núcleo Dois da tentativa de golpe entregam defesas ao STF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Réus do Núcleo Dois da tentativa de golpe entregam defesas ao STF

A denúncia da PGR aponta que o Núcleo Dois teria atuado como uma espécie de "setor gerencial" do plano golpista
Moreno/SCO/STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Defesas contestam validade das provas e pedem absolvição; grupo é acusado de gerenciar as ações

Com o fim do prazo para a entrega das alegações finais, os réus classificados no chamado “Núcleo Dois” da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolvimento na tentativa de golpe de Estado pós-eleições de 2022 protocolaram suas manifestações ao Supremo Tribunal Federal (STF). As defesas contestam a legitimidade das provas reunidas, a competência da Primeira Turma para julgar os casos e pede a absolvição dos acusados. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, agora pode encaminhar o processo para julgamento.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Entre os sete réus do grupo, dois — Filipe Martins, ex-assessor especial de Jair Bolsonaro, e o coronel da reserva Marcelo Costa Câmara — não entregaram suas alegações finais no prazo estipulado, encerrado às 23h59 de terça-feira (7). Ainda assim, o processo segue em tramitação e os julgamentos podem ocorrer com base nas provas e manifestações já constantes nos autos.

Quem são os réus:

Além de Martins e Câmara, integram Núcleo Dois:

  • Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF);
  • Fernando de Sousa Oliveira, delegado da Polícia Federal (PF) e ex-secretário-adjunto de Segurança Pública do Distrito Federal;
  • Marília Ferreira de Alencar, delegada da PF e ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça;
  • General Mário Fernandes, ex-secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência.

A denúncia da PGR aponta que o Núcleo Dois teria atuado como uma espécie de “setor gerencial” do plano golpista, sendo responsável por coordenar ações de monitoramento de autoridades públicas, manipulação institucional e apoio a atos antidemocráticos.

Um dos casos mais emblemáticos é o do general da reserva Mário Fernandes, apontado como autor do documento denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que, segundo a PGR, previa a eliminação física de autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o próprio ministro Alexandre de Moraes.

Em depoimento ao Supremo, Fernandes admitiu ser o autor do texto, mas alegou tratar-se apenas de uma reflexão pessoal, sem qualquer plano de execução. Em suas alegações finais, a defesa sustenta que o documento era um “arquivo eletrônico” jamais compartilhado com terceiros e que não há provas de sua participação em reuniões operacionais para execução de qualquer ação criminosa.

Julgamento pode ser marcado nos próximos dias

O calendário da Corte já prevê os julgamentos dos núcleos Quatro e Três para os meses de outubro e novembro, respectivamente. Já o Núcleo Um, considerado o crucial da suposta trama e liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi julgado em setembro. Todos os oito acusados dessa etapa foram condenados.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade