Movimentos sociais estão convocando para esta quinta-feira (10), um ato de protesto em São Paulo contra o Centrão, a “farra” das emendas secretas no Congresso e, ainda, contra o chamado BBB — bancos, bilionários e bets. Esses setores se tornaram alvo de uma cruzada dos apoiadores do presidente Lula após o parlamento derrubar o decreto governamental que reajustava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A manifestação está prevista para as 18h em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), na Avenida Paulista. A organização é das frentes Povo sem Medo e Brasil Popular, e um dos principais apoiadores é o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL). “Quem vai pagar a conta no Brasil? Enquanto o povo paga imposto pra caramba, bilionário e banco não pagam nada”, escreveu Boulos em uma publicação no X.
Por enquanto, o protesto tem sido divulgado nas redes sociais principalmente por parlamentares ligados ao PSOL, sem o apoio direto de nomes de peso do PT.
Esse novo ato ocorre na esteira de outra manifestação, realizada na última quinta-feira (3), na sede do Itaú, em São Paulo. Liderado pelos mesmos movimentos, esse protesto incomodou integrantes do governo Lula. Na ocasião, militantes da frente Povo Sem Medo e do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), ambos ligados a Boulos, invadiram um prédio do banco na Avenida Faria Lima em um protesto pela taxação de “super-ricos”.
Conforme a revista Veja, petistas afirmaram que qualquer ato mais radical de grupos historicamente ligados à esquerda é negativo para o PT e para o presidente Lula. Nomes atuantes do PT de São Paulo, incluindo deputados estaduais e vereadores que defendem a exaustão a taxação dos super-ricos nas redes, não se manifestaram publicamente sobre o ato convocado por Boulos.
Na avaliação de petistas, Guilherme Boulos não conquistou uma vaga na Esplanada dos Ministérios, como chegou a ser especulado, e estaria buscando protagonismo. Isso explicaria a invasão do banco e a participação ativa nos atos da esquerda no próximo dia 10.
Neste caso, os petistas têm concentrado esforços na defesa do plebiscito, que propõe a taxação de quem recebe mais de R$ 50.000, a isenção de tributo para quem recebe até R$ 5.000, e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, com o fim da escala 6×1. O plebiscito está em fase de votação popular até setembro.
O ato convocado para esta semana também é visto com ressalvas devido à possibilidade de um novo fiasco de público. A última manifestação da esquerda em São Paulo, no final de março, contra o PL da Anistia, produziu imagens de um público minguado, com apenas 6.500 pessoas, segundo o Monitor do Debate Político no Meio Digital, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrat) sediado na USP.
A baixa adesão tem servido de combustível para a oposição aliada a Jair Bolsonaro, que ironiza a capacidade de mobilização da esquerda. Um dos riscos da nova manifestação é reunir um público menor que o levado por Bolsonaro ao seu último ato na Avenida Paulista, em 29 de junho, que, com 12.400 pessoas, já foi um dos menores alcançados pelo ex-presidente no local.
