Direita segue soberana nas redes sociais, veja números - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Direita segue soberana nas redes sociais, veja números

PF

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Por Isac Mascarenhas

Falta de discurso unificado da esquerda atrapalha engajamento

A direita mantém ampla vantagem nas redes sociais brasileiras, impondo um obstáculo real à comunicação do governo Lula. Levantamento da consultoria Bites, divulgado pela Folha, mostra que os principais nomes da esquerda reúnem menos da metade dos seguidores da direita e geraram apenas um terço do engajamento ao longo de 2025.

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Ao longo de 2025, as publicações originadas da direita obtiveram um engajamento — considerando curtidas, comentários e compartilhamentos — equivalente a 2,5 vezes o volume gerado pelas postagens da esquerda e de partidos de centro e centro-direita combinados.

Quanto maior o número de interações, mais ampla é a visibilidade de uma informação na internet e mais significativa sua reverberação.

O levantamento analisou os perfis dos 250 deputados federais, senadores, o presidente, o ex-presidente, ministros, primeiras-damas, governadores e prefeitos de capitais que possuem o maior número de seguidores. A Bites coletou os dados das cinco principais redes sociais no país: Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e X (antigo Twitter), abrangendo o período de 1º de janeiro a 30 de maio.

Embora o número de parlamentares apresente um certo equilíbrio na amostra — 84 de centro ou centrão, 88 da direita e 78 da esquerda —, o engajamento dos perfis vinculados à direita demonstra é bem maior.

De acordo com a pesquisa, políticos de direita acumularam 1,48 bilhão de interações nos primeiros cinco meses do ano, enquanto os de esquerda atingiram somente 417 milhões. Os políticos de partidos de centro e do centrão registraram um desempenho ainda mais discreto, com 171 milhões.

A direita também se destaca por um engajamento médio por postagem maior, com uma média de 12.894 interações por publicação. No caso dos aliados do presidente Lula, essa média cai para 4.699 interações por post, e no centro e centrão, a cifra se estabelece em 3.900.

A disparidade numérica no engajamento e número de seguidores nas redes sociais é atribuída à maior organização e sintonia da direita nas plataformas digitais. Segundo o estudo, “é uma bolha mais ativa e mais engajada, o que acaba gerando um volume maior de interações. Tem mais gente interessada o tempo inteiro nesse conteúdo.”

A esquerda enfrenta mais dificuldades em operar com uma linha unificada. Como exemplo, o levantamento cita os deputados federais Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP), figuras influentes nesse espectro político nas redes, mas cujos discursos frequentemente divergem.

Outra fragilidade da esquerda, conforme aponta o estudo, é a carência de organização. Nem todos os ministros do governo possuem presença nas redes sociais, e a principal liderança do grupo, o presidente Lula, muitas vezes evita os embates digitais.

Somados, os 33 ministros do petista que mantêm perfis sociais (cinco não possuem contas públicas) reúnem pouco mais da metade dos seguidores que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ostenta sozinho. A lista de ministros com maior alcance é liderada por nomes que foram candidatos à Presidência recentemente: Fernando Haddad (Fazenda), com 7,2 milhões, e Marina Silva (Meio Ambiente), com 5,7 milhões.

Os políticos de centro e do centrão, a afinidade com as redes sociais é, em geral, menor, embora haja um investimento crescente nessa interação como ferramenta alternativa para angariar votos.

O atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adotou uma abordagem mais informal na comunicação, mas ainda não alcança um público massivo. Seus perfis somam 300 mil seguidores nas cinco principais redes sociais, colocando-o na 210ª posição entre os políticos analisados pela Bites, bem aquém de muitos de seus colegas parlamentares.

Ainda assim, Motta se destaca como um dos políticos do centrão com maior engajamento em suas publicações, registrando, em média, 3.624 interações por post. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que já exerceu o cargo em 2019 e 2020 e possui 627 mil seguidores, recebe em média 1.129 reações por publicação.

No entanto, esses números ficam aquém do engajamento alcançado pela esquerda — que recentemente direcionou sua artilharia digital contra o Congresso devido à derrubada do decreto do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e às dificuldades na aprovação de pautas governamentais.

As principais figuras dos partidos de centro e centro-direita nas redes são, muitas vezes, personalidades que não vêm da política tradicional, como humoristas, influenciadores ligados a causas sociais (como a causa animal ou de pessoas com deficiência), cantores e religiosos.

Frequentemente, o conteúdo que publicam não está diretamente relacionado aos seus mandatos. Exemplos incluem o deputado federal Fábio Teruel (MDB-SP), cantor gospel que compartilha orações no YouTube, ou o deputado Célio Studart (PSD-CE), cujo vídeo mais recente no Instagram mostra “ator de Superman se encantando com doguinho fantasiado em evento no Brasil”.

Esse perfil político tem mais dificuldade de engajar em pautas por estar fora da polarização das redes. “Na prática, são pessoas que vão depender da política mais tradicional, de emendas parlamentares e de cargos, para se destacarem”, diz o estudo.

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