Boulos mobiliza grupo para responsabilizar Flávio por tarifa dos EUA
Brasília, Sexta, 17 de julho de 2026
Política

Boulos mobiliza grupo para responsabilizar Flávio por tarifa dos EUA

Ministro orienta apoiadores de Lula a divulgar nas redes a narrativa do governo sobre o tarifaço americano

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, convocou integrantes do grupo “Porta-vozes de Lula” para intensificar publicações nas redes sociais responsabilizando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A orientação foi enviada nesta quinta-feira (16), um dia após o anúncio da medida.

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Na mensagem, Boulos pede que os participantes reforcem a versão defendida pelo Palácio do Planalto e chama o parlamentar de “Tariflávio”.

“‘Tariflávio’ tem dois pais: um pai é o [presidente Donald] Trump agindo lá na Casa Branca pelo interesse colonialista dos Estados Unidos. O outro pai se chama Flávio Bolsonaro agindo por interesse eleitoral, por traição à pátria”, afirmou.

O ministro também orientou os integrantes do grupo a ampliarem a divulgação da mensagem em diferentes espaços.

“Esse time aqui, time dos porta-vozes do Lula, tem que ser muito firme na reação durante o dia de hoje, durante os próximos dias”, disse. Em seguida, pediu que o conteúdo fosse compartilhado “nas redes sociais, nos comentários, nos grupos de Zap, no ônibus, na igreja, na escola, onde for”.

Boulos acrescentou: “Temos hoje a missão de colocar a narrativa real do que está acontecendo, quem está a favor do Brasil, que é patriota de verdade, e quem é traidor da Pátria”.

No áudio, o ministro afirma que a nova tarifa poderá provocar fechamento de empresas, perda de empregos e impactos sobre setores exportadores. Também diz que o governo brasileiro tentou negociar com os Estados Unidos antes da adoção da medida.

“Aí vem aquele Marco Rubio e diz, ah, não teve negociação. Mentira, né”, declarou.

Segundo Boulos, o governo Lula recusou negociar temas considerados estratégicos, como o Pix e as terras raras. “Nós não topamos negociar ajoelhado”, afirmou. Em seguida, acrescentou que “soberania não se negocia” e disse que o governo responderá à decisão americana por meio da Lei da Reciprocidade.

A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor em 22 de julho. A medida foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos, mas prevê uma lista com mais de 2 mil produtos isentos, incluindo matérias-primas consideradas estratégicas para a economia americana, itens sem produção suficiente nos EUA e mercadorias cuja tributação, segundo Washington, não contribuiria para pressionar o Brasil nas práticas questionadas pelo governo americano.

Após o anúncio da medida, Flávio Bolsonaro atribuiu a crise diplomática ao governo Lula e afirmou que o Brasil está em um “avião sem piloto”.

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