Linhares, aliado de Ciro Nogueira, deixou cargo antes da Carbono Oculto 86
A exoneração de Victor Linhares de Paiva do cargo de secretário municipal de Articulação Institucional de Teresina na segunda-feira (3), dois dias antes da deflagração da operação Carbono Oculto 86, motivou investigação da Polícia Civil do Piauí sobre um possível vazamento de informações privilegiadas.
Linhares é aliado do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do partido.
A operação, que mira a relação entre a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), postos de gasolina e fintechs, é um desdobramento de investigações do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Federal.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o grupo utilizava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar dinheiro e fraudar o setor, movimentando cerca de R$ 5 bilhões.

Linhares foi alvo de busca e apreensão, mas não foi localizado em sua residência e ainda não foi ouvido pela Polícia Civil.
A investigação também mira outros alvos que viajaram para São Paulo e Brasília na véspera da operação, além de caixas de relógio vazias encontradas nas casas dos envolvidos, levantando suspeitas sobre ações de ocultação de bens.
A Polícia Civil pretende ouvir Linhares sobre repasses de recursos recebidos de empresários ligados ao esquema.
A assessoria do prefeito Silvio Mendes (União Brasil), aliado de Ciro, afirmou que a exoneração de Linhares foi uma mudança técnica e política programada há meses. O deputado federal Julio Arcoverde (PP) assumiu a pasta. Procurado, Ciro Nogueira não se manifestou sobre a investigação ou relação com Linhares.
