Ministro usa menção a entidade em depoimento fajuto de Tacla Duran
O ministro Dias Toffoli, do STF, utilizou depoimentos do ex-advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, como justificativa para assumir os inquéritos ligados à Operação Sem Desconto. A investigação apura descontos indevidos em benefícios do INSS.
Segundo a Polícia Federal, os nomes do ex-ministro Onyx Lorenzoni (PP-RS) e do deputado Fausto Pinato (PP-SP) apareceram durante as apurações. Ambos negam qualquer ligação com os fatos investigados.
Diante das menções a políticos com foro privilegiado, Toffoli requisitou acesso a todos os inquéritos abertos no país relacionados ao caso. Em sua decisão, o ministro argumenta que há conexão entre esses procedimentos e uma investigação anterior que tramita sob sua relatoria, a partir das acusações feitas por Tacla Duran contra o senador Sérgio Moro e o ex-deputado Deltan Dallagnol.
A PF informou ao gabinete de Toffoli que um contador alvo de outra operação sobre lavagem de dinheiro também teria atuado para a Amar Brasil Clube de Benefícios — uma das entidades suspeitas de realizar descontos ilegais sobre aposentadorias. A entidade doou R$ 60 mil à campanha de Onyx ao governo do Rio Grande do Sul em 2022. O vínculo da associação com o INSS começou durante a gestão de Onyx na pasta da Previdência, e, desde então, a Amar Brasil já arrecadou mais de R$ 320 milhões com os descontos.
Na decisão, Toffoli sustentou que as declarações de Tacla Duran levantam indícios de conexões entre as fraudes no INSS e os fatos que já estão sob análise no STF. Por isso, determinou o envio dos inquéritos para análise centralizada.
O que dizem os citados
O deputado Fausto Pinato (PP-SP) alegou que seu escritório político foi instalado em uma sala comercial anteriormente ocupada por pessoas ligadas à Amar Brasil, mas que alugou o espaço apenas meses depois de os antigos ocupantes saírem do local. “Pegar um cara que tem uma empresa, eu alugo a sala quatro ou seis meses depois… Eu vou adivinhar que a sala é de um cara que está supostamente envolvido com a farra do INSS?”, afirmou.
Já Onyx Lorenzoni disse que cerca de 30% dos seus doadores não têm vínculo pessoal com ele, e que todas as contribuições foram feitas “dentro da lei e fiscalizadas pela Justiça Eleitoral”.
Para este site, o ex-ministro reforçou que o ministro Dias Toffoli, relator do caso, não atendeu à solicitação do delegado e manteve sob seu próprio controle a condução da investigação, o que, segundo ele, foi a decisão correta.
“Tenho a Verdade comigo e nada temo”, disse. Onyx também afirmou estar à disposição da PF, do Ministério Público e do STF para prestar esclarecimentos.
