“Nem toda visibilidade fortalece instituições”, diz Fachin ao defender discrição de juízes
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

“Nem toda visibilidade fortalece instituições”, diz Fachin ao defender discrição de juízes

Presidente do STF afirma que a confiança no Judiciário depende de prudência, integridade e qualidade das decisões

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin
Foto: Antonio Augusto/STF

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Por Redação

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta terça-feira (2) que magistrados devem adotar uma postura de discrição e evitar a busca por protagonismo individual na esfera pública. A declaração foi feita durante o Congresso Internacional Estado de Direito e Ética Judicial, realizado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, evento que reuniu representantes de tribunais de diversos países para discutir desafios relacionados à ética e à atuação do Poder Judiciário.

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Ao discursar no encontro, Fachin defendeu que a credibilidade das instituições depende mais da solidez de suas decisões do que da exposição de seus integrantes. Segundo ele, a atuação de cada magistrado influencia diretamente a forma como a sociedade enxerga todo o sistema de Justiça.

“O singular se faz plural na unidade da magistratura. Cada audiência, cada sentença, cada decisão, cada manifestação pública, cada gesto, tudo comunica, tudo educa, tudo projeta para a sociedade uma determinada imagem da própria Justiça”, afirmou.

Em um cenário marcado pela intensa circulação de informações e pela valorização da visibilidade nas redes sociais, o presidente do STF alertou para a necessidade de cautela por parte dos juízes.

“A sociedade digital produz incentivos à visibilidade constante. Mas atentemos para isso. Nem toda visibilidade fortalece instituições. Muitas vezes o silêncio institucional vale mais que o protagonismo individual”, declarou.

A fala ocorre em meio às discussões conduzidas por Fachin sobre a criação de um código de conduta específico para os ministros do STF. Defensor da proposta, o magistrado tem sustentado que a legitimidade do Judiciário também está associada à transparência e à prestação de contas à sociedade.

Durante o evento, o ministro afirmou ainda que a autoridade dos juízes deve ser construída por meio da qualidade técnica de suas decisões, da serenidade e do equilíbrio no exercício da função.

“Prudência e comedimento são virtudes que produzem confiança. Por isso, cada juiz e cada juíza devem ser empreendedores da confiança”, disse.

Fachin também ressaltou que não vê distinção entre os padrões éticos exigidos na vida pública e na esfera privada. “Não existe ética para a vida pública e outra para a vida privada. A integridade é indivisível”, afirmou.

Segundo o presidente do STF, a confiança da população no sistema de Justiça depende da coerência e da idoneidade demonstradas pelos magistrados em todas as suas atividades. “As pessoas precisam querer e ter razões para confiar no sistema de Justiça. E confiança não se decreta, se conquista”, concluiu.

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