O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) acusa o Ministério do Desenvolvimento Agrário, comandado por Paulo Teixeira, de divulgar dados inflados sobre a reforma agrária. A liderança do grupo afirma que os números apresentados pelo governo Lula não refletem a realidade dos acampamentos.
Segundo o MST, o ministério inclui na contagem de áreas entregues terras que ainda não possuem decisão judicial sobre a desapropriação. Para o movimento, os anúncios servem como propaganda e não resultam em benefícios concretos às famílias acampadas.
O ministério nega a acusação e afirma que trabalha com transparência. Declara que contabiliza como entregues as propriedades que já passaram por análise técnica e tiveram recursos reservados para a desapropriação. A pasta atribui à gestão Bolsonaro as dificuldades encontradas atualmente.
O MST rompeu o diálogo com Paulo Teixeira e pede sua substituição. A direção do movimento discute intensificar mobilizações para pressionar o governo.
O Acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio (MG), é citado como símbolo do impasse. Cerca de duas mil famílias ocupam a área desde o fim dos anos 1990. Em março, Lula visitou o local e assinou decretos de desapropriação. Desde então, o processo está parado, sem avanços concretos.
“Não se moveu mais nenhum centímetro no sentido de garantir o direito das famílias”, afirmou Silvio Netto, da coordenação nacional do MST, à Folha de S.Paulo. “Se o presidente tivesse conhecimento dessa incompetência, o Paulo Teixeira já teria sido demitido.”
O MST alega que o ministério deveria ter ajuizado pedido de homologação da desapropriação, o que não ocorreu. Mesmo assim, os lotes do Campo do Meio seguem na lista de áreas supostamente entregues, gerando insatisfação entre os ocupantes.
O ministério afirma que a Procuradoria do Incra está finalizando a ação para encaminhá-la à Justiça. Segundo a pasta, o processo está dentro do prazo legal, que permite até dois anos para formalizar a desapropriação após a assinatura do decreto.
A meta do governo é criar 30 mil novos assentamentos em 2025. O ministro diz que metade já foi entregue. A previsão é alcançar 60 mil famílias assentadas até o fim de 2026.
O presidente Lula atribui parte dos entraves à gestão anterior e cobrou resultados do ministro. “É isso que quero que a gente faça no MDA, Paulinho”, disse em evento no fim de maio. “Se não puder fazer, eu peço desculpas a você.”
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