Motta promete acelerar aumento do teto do MEI
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Motta promete acelerar aumento do teto do MEI

Presidente da Câmara defende urgência para projeto que reajusta limites do Simples

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou nesta segunda-feira (17) que a Casa deve acelerar a tramitação do projeto que amplia o limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI) e atualiza as faixas do Simples Nacional. A declaração foi feita durante evento da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), em Brasília.

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Segundo Motta, a Câmara deve votar ainda nesta terça-feira a urgência do projeto, aprovado anteriormente no Senado, para iniciar a discussão do mérito da proposta. “O setor empresarial e o empreendedorismo têm defendido esse reajuste. Nós vamos hoje votar a urgência para que possamos discutir os efeitos positivos dessa mudança”, afirmou.

O presidente da Câmara destacou que a medida pode beneficiar milhões de brasileiros. “Há levantamentos que falam em 12 milhões de pessoas, outros apontam 14 milhões. É uma quantidade muito significativa de cidadãos que seriam beneficiados”, disse.

O projeto em discussão busca atualizar os limites de faturamento do MEI e do Simples Nacional, que não recebem correção há anos. Entre as mudanças previstas estão a ampliação do teto do MEI e a atualização das faixas do regime simplificado, além da possibilidade de ajustes periódicos pela inflação para evitar novas defasagens.

Motta afirmou que o debate precisará considerar também os impactos fiscais da medida, já levantados pela equipe econômica do governo. “Já há discussões na Fazenda sobre o impacto fiscal dessa mudança. Vamos ter que conduzir esse debate com responsabilidade”, declarou.

Segundo ele, a presidência da Câmara pretende conduzir a discussão considerando tanto os efeitos econômicos quanto as preocupações fiscais. “Estamos olhando os dois lados da moeda para avançar reconhecendo o papel dos microempreendedores individuais e do Simples Nacional.”

Durante o evento, o deputado também reconheceu que o regime simplificado está defasado e voltou a defender a atualização dos limites. “Nós entendemos o valor do Simples e sabemos que ele está defasado. Esse debate já existe há algum tempo”, afirmou.

O parlamentar acrescentou que a aprovação da urgência abre caminho para discutir mudanças mais amplas no regime. “Nem sempre a janela política aparece quando queremos, mas quando se constrói a possibilidade de avançar em uma pauta.”

O presidente da Câmara afirmou ainda que o tema exige cautela na condução política. “É responsabilidade do presidente da Câmara medir as consequências de cada decisão. Não podemos apenas fazer o discurso mais fácil”, disse.

Representantes do setor empresarial também defenderam a aprovação da proposta. Em nota encaminhada ao presidente da Câmara, a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) pediu prioridade para o projeto que atualiza os limites do Simples Nacional.

A entidade afirmou que micro e pequenas empresas respondem por cerca de 27% do Produto Interno Bruto (PIB) e 55% dos empregos formais do país, movimentando aproximadamente R$ 840 bilhões na economia.

Segundo a confederação, a atualização dos limites poderia permitir a expansão de milhares de empresas sem perda do enquadramento no regime simplificado. Estudos citados pela entidade indicam que a mudança pode gerar até 869 mil novos empregos e injetar R$ 81,2 bilhões na economia.

No documento, o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, afirma que a correção é necessária para adequar o sistema tributário à realidade econômica atual. A entidade também defende a criação de um mecanismo de atualização anual das faixas pela inflação, para evitar novas distorções no futuro.

Ao encerrar sua participação no evento da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, Motta reafirmou o compromisso de manter diálogo com o setor produtivo na construção das pautas econômicas do Congresso.

“Esse debate é produtivo porque permite ouvir preocupações e sugestões de quem produz e paga impostos no país. O Parlamento precisa estar aberto a essas discussões”, afirmou.

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