Oposição protocola impeachment de Moraes
Brasília, Quarta, 15 de julho de 2026
Política

Oposição protocola pedido de impeachment de Moraes após veto a visita de Flávio a Bolsonaro

Denúncia apresentada ao Senado acusa ministro do STF de abuso de poder e pede abertura de processo por crime de responsabilidade

Alexandre de Moraes
Foto: Gustavo Moreno/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Liderança da Oposição na Câmara dos Deputados protocolou hoje (15) um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A denúncia, encaminhada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sustenta que o magistrado cometeu abuso de poder ao proibir, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O documento foi apresentado pelo líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), com fundamento na Constituição Federal e na Lei nº 1.079/1950, que trata dos crimes de responsabilidade. A representação pede a instauração do processo, a criação de uma comissão especial no Senado e, ao final, a perda do cargo e a inabilitação de Moraes para o exercício de função pública por oito anos.

Segundo a denúncia, a decisão do ministro teria restringido direitos fundamentais ao impedir que Flávio Bolsonaro visitasse o pai após a divulgação de uma carta manuscrita escrita pelo ex-presidente e publicada nas redes sociais. Os autores afirmam que a medida transformou uma comunicação familiar em fundamento para impor novas restrições judiciais.

O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que o novo pedido de impeachment decorre do que classificou como sucessivos abusos cometidos pelo ministro Alexandre de Moraes.

“”Já não basta a perseguição clara ao presidente Bolsonaro. Ele utiliza todo o poder que detém hoje na República Federativa do Brasil para perseguir o seu oponente político, agindo de forma ilegal e inconstitucional ao arrepio da Lei nº 1.079, de 1950, que trata do impeachment. Fizemos a nossa parte protocolando mais um pedido de impeachment”, disse.

A peça também destaca que Flávio Bolsonaro integra formalmente a defesa do ex-presidente. Com isso, a oposição sustenta que a proibição das visitas também atingiria as prerrogativas da advocacia, ao impedir o contato entre advogado e cliente. O documento cita dispositivos da Constituição, da Lei de Execução Penal e do Estatuto da Advocacia para fundamentar esse argumento.

Outro ponto apresentado é a comparação com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso, em 2018. A oposição afirma que, naquela ocasião, cartas escritas por Lula eram divulgadas publicamente sem restrições, sustentando que houve tratamento distinto em relação ao caso envolvendo Jair Bolsonaro.

Na fundamentação jurídica, a denúncia sustenta que Alexandre de Moraes teria praticado abuso de poder e violado o princípio da isonomia ao impor medidas cautelares consideradas desproporcionais. O texto também afirma que o ministro teria utilizado decisões judiciais para restringir a comunicação e a atuação política do ex-presidente e de seu filho.

“Como eu deixei claro anteriormente, se for preciso, protocolaremos o maior número possível. Todas as vezes que os ministros da Suprema Corte cometerem ilegalidades, nós iremos fazer a nossa parte como líder da oposição, em defesa do Estado de Direito, em defesa da democracia e da nossa Constituição”, disse o Cabo.

Com base nesses argumentos, a oposição pede que o Senado receba a denúncia, instaure o processo de apuração por crime de responsabilidade, constitua comissão especial para analisar o caso, notifique o ministro para apresentação de defesa e, ao final, julgue procedente o pedido de impeachment.

“A nossa parte estamos fazendo. Se vai dar certo ou não, se vai prosseguir ou não, aí é com o Senado Federal e com a pressão política que estamos fazendo. A nossa parte está feita e continuaremos fazendo sem desistir”, afirmou.

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