Ministro afirma que documento buscou sustentar discurso de fraude em 2022
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, classificou como “esdrúxula” a nota do Ministério da Defesa que levantava suspeitas sobre as urnas eletrônicas em 2022. A declaração ocorreu nesta terça-feira (9), durante o julgamento da ação penal que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus.
Segundo Moraes, Bolsonaro pediu ao então ministro da Defesa, general da reserva Paulo Sérgio Nogueira, que incluísse no relatório das Forças Armadas indícios de fraude. “Uma das mais esdrúxulas notas vergonhosas que um ministro da Defesa do Brasil pode ter emitido. (…) Para manter a chama do discurso das fraudes nas eleições e impedir a posse do presidente e vice eleitos”, disse.
O relatório, enviado ao TSE em 2022, apontou riscos potenciais, mas não apresentou evidências de manipulação. Moraes também criticou o PL por questionar apenas o resultado do segundo turno. “Não é possível pedir que se anule só os votos do 2° turno, dizendo que 48% das urnas são irregulares, se essas urnas são as mesmas do 1° turno”, afirmou, chamando a iniciativa de “má-fé”.
Durante o voto, Moraes ainda citou fala de Braga Netto em novembro de 2022: “Não posso conversar, mas vocês não percam a fé, é só o que eu posso falar para vocês agora”. Para o ministro, trata-se de “clara confissão de unidade de desígnios para a prática da tentativa de golpe militar do dia 8 de janeiro de 2023”.
O julgamento segue na Primeira Turma do STF, que pode decidir pela condenação de Bolsonaro e outros sete réus.
