Ex-ministro do STF afirma que críticas às instituições devem ser feitas dentro do país
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, criticou hoje (31) a postura do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está em viagem aos Estados Unidos e tem feito declarações sobre o cenário político e institucional brasileiro. Durante participação no programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube, Marco Aurélio afirmou que “a roupa suja deve ser lavada em casa”.
“Eu não compreendo que se viaje ao exterior para se criticar o Brasil, se criticar este ou aquele agente público, ou esta ou aquela instituição. A crítica deve ser feita internamente, os problemas brasileiros devem ser resolvidos no âmbito da soberania no Brasil”, disse.
O ex-ministro ainda lembrou episódios anteriores envolvendo o parlamentar: “O deputado Eduardo Bolsonaro às vezes peca pelo discurso excessivo. Lembro-me que anos atrás, no Paraná, ele chegou a dizer que para fechar o Supremo bastaria um sargento e dois soldados. Isso é um arrobo de retórica a todos os títulos condenável.”
Na avaliação de Marco Aurélio, o deputado deveria se manifestar dentro das instâncias democráticas. “Ele deveria estar aqui na Câmara dos Deputados e no exercício do mandato. A partir da independência que o mandato empresta, devia estar degladiando e fazendo as críticas que quisesse, mas não no exterior.”
Para o ex-ministro, a postura não representa o que se espera de um parlamentar. “Eu não encampo essa postura, não é a postura que se aguarda de um representante do povo.”
Marco Aurélio também comentou o papel das instituições e alertou para os riscos do desequilíbrio entre os Poderes. “A república está sentada em um tripé formado por Legislativo, Executivo e Judiciário. A harmonia pressupõe que cada qual atue na área que lhe é reservada constitucionalmente.”
Por fim, afirmou que a responsabilidade política será julgada em momento oportuno. “Vamos ver aonde vamos chegar. A responsabilidade dele será definida hoje ou amanhã por quem de direito. E aguardemos que isso ocorra sem julgamentos prévios e, portanto, assodados.”
