O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (17) que pretende travar uma “guerra da verdade” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), em resposta ao novo tarifaço anunciado pelo governo norte-americano contra produtos brasileiros.
Segundo Lula, o Brasil não tem interesse em um conflito com os Estados Unidos, mas pretende disputar a versão dos fatos apresentada pelos dois países. O presidente afirmou que quer demonstrar à comunidade internacional qual lado está apresentando a verdade sobre a decisão comercial.
“Eu já falei três vezes para o presidente Trump que o Brasil não tem nenhum interesse de fazer guerra. Nós aqui somos da paz. Agora, a guerra que quero fazer com ele é a guerra da narrativa, é a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem está falando a verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e EUA”, declarou.
Lula afirmou ainda que Trump precisará lidar com o embate usando o diálogo. “Ele vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra”, disse.
A declaração foi feita durante agenda no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro. O presidente afirmou que aguardava uma manifestação direta de Trump antes de comentar oficialmente a medida.
“Eu não falei do tarifaço porque até agora o Trump não falou da tarifa. Quem falou da tarifa foi o pessoal do segundo escalão dele, que o meu pessoal já respondeu. Quando Trump falar, eu vou falar, de presidente para presidente da República”, afirmou.
Tarifa de 25%
O governo dos Estados Unidos confirmou nesta semana a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com previsão de entrada em vigor a partir de 22 de julho. A medida foi anunciada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Alguns produtos, como petróleo, café e carne bovina, ficaram fora da cobrança. A decisão, porém, ampliou a tensão comercial entre os dois países.
O governo norte-americano apresentou justificativas econômicas, jurídicas e ambientais para a adoção da medida. Integrantes do governo brasileiro, no entanto, avaliam que a decisão também possui caráter político.
Brasil avalia reação
Após o anúncio do tarifaço, o governo brasileiro passou a discutir alternativas para reduzir impactos sobre setores exportadores e ampliar mercados para produtos nacionais.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil busca uma solução por meio do diálogo, mas indicou que o país poderá contestar medidas consideradas incompatíveis com as regras internacionais de comércio.
Entre as possibilidades analisadas pelo governo está a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, que permite ao Brasil aplicar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras consideradas injustificadas.
Além disso, o governo avalia mecanismos de apoio às empresas afetadas e estratégias para ampliar exportações para mercados da Ásia, Europa e Oriente Médio.