Advogado-geral da União é confirmado para a vaga de Barroso após reunião fora da agenda
O presidente Lula (PT) oficializou nesta quinta-feira (20) a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha foi fechada após uma reunião reservada no Palácio da Alvorada e encerra semanas de especulações dentro do governo.
Messias já era considerado o favorito de Lula, apesar de outros nomes terem circulado, como o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ex-presidente do Senado, Pacheco era visto como opção mais viável ao Congresso, mas, segundo apurações do Portal Claudio Dantas, seu nome teria sido rejeitado pela cúpula do Partido dos Trabalhadores.
Com sua indicação ao STF, ele se torna o terceiro ministro indicado pelo presidente em seu atual mandato, depois de Cristiano Zanin e Flávio Dino.
A pressão por uma indicação feminina, promessa de campanha do petista, também teve peso no debate, mas nenhum nome foi cogitado. Atualmente, o Supremo conta apenas com a minsitra Cármen Lúcia.
A indicação será publicada em edição extra do Diário Oficial da União. Em seguida, Messias passará por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e terá seu nome votado pelo plenário do Senado. A expectativa é que a definição ocorra ainda este ano.
Controvérsia recente
O nome de Messias vinha sendo alvo de questionamentos após revelações envolvendo um relatório interno da AGU.
O documento, assinado por 63 procuradores da região Sul, apontava irregularidades em nove entidades sindicais que teriam cobrado valores indevidos de aposentados e pensionistas. Entre elas estava o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi-FS), que tem como vice-presidente Frei Chico, irmão de Lula.
Ao acionar a Justiça em maio para bloquear bens das entidades suspeitas, Messias excluiu seis das nove mencionadas, incluindo o Sindnapi, que movimentou R$ 1,2 bilhão entre 2019 e 2025. Outra entidade citada, a Contag, próxima ao PT e alvo de operação da Polícia Federal, arrecadou R$ 3,4 bilhões no mesmo período.
Perfil do indicado
Aos 45 anos, Messias construiu sua carreira política nos governos petistas e ocupa o comando da AGU desde janeiro de 2023. É graduado em Direito pela UFPE, mestre e doutor pela UnB, onde também atuou como professor visitante.
Passou pela Casa Civil, pelo Ministério da Saúde, pelo Ministério da Educação e pela pasta de Ciência e Tecnologia. Procurador da Fazenda Nacional desde 2007, ganhou projeção na época da Lava Jato ao aparecer em ligação entre Dilma Rousseff e Lula.
Em 2022, foi o mais votado pela carreira para chefiar a AGU e foi escolhido por Lula para o posto.
