Ministra defende democracia e critica ditadura em discurso na Corte
A ministra Cármen Lúcia afirmou hoje (29) que o Supremo Tribunal Federal (STF) se mantém “íntegro” e “plural”. O discurso ocorreu durante a posse de Edson Fachin como presidente da Corte para o biênio 2025–2027. Alexandre de Moraes assumiu como vice-presidente.
“Este Supremo Tribunal Federal mantém-se íntegro em sua formação e coeso – conquanto, plural – em sua atuação”, disse a ministra, escolhida por Fachin para representar os ministros no evento.
Em sua fala, Cármen Lúcia defendeu a democracia e criticou o autoritarismo. “A ditadura é o pecado mortal da política, nela se extingue a liberdade”, declarou. Cármen acrescentou que a democracia foi “desconsiderada e ultrajada por antidemocratas em vilipêndio antidemocrático e abusivo contra o estado de direito vigente”.
A posse contou com a presença do presidente Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, além de governadores, ministros de cortes superiores e do presidente da OAB, Beto Simonetti.

A ministra Cármen também elogiou o ministro Alexandre de Moraes, segundo ela, o ministro, enquanto esteve à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), soube se manter com “a mesma firmeza” nas mais diversas situações, sem se render a “humores exacerbados”.
Ao completar dez anos no Supremo, Fachin reafirmou sua posição de separar a atuação judicial da política. “Ao direito o que é do direito, à política o que é da política”, disse.
Fachin adota estilo discreto, sem entrevistas frequentes, e recusou festas financiadas por entidades jurídicas, optando por cerimônia simples com café e água.
Com a nova função, ele deixou a relatoria de mais de cem processos da Operação Lava Jato, que havia assumido em 2017 após a morte de Teori Zavascki. O encerramento da operação foi marcado por decisões que apontaram nulidades processuais e problemas em delações premiadas.
