Julgamento envolve sete acusados de integrar grupo que teria atuado para difundir ataques contra o sistema eleitoral
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou agora há pouco (21) pela condenação dos sete réus do chamado “núcleo da desinformação” da fantasiosa trama golpista investigada pela Corte. Ele acompanhou integralmente o voto do relator Alexandre de Moraes.
Faltam votar os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Os réus são:
• Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército;
• Ângelo Denicoli, major da reserva;
• Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal;
• Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército;
• Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército;
• Marcelo Bormevet, agente da Polícia Federal;
• Reginaldo Abreu, coronel do Exército.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo usou a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários políticos e criar conteúdos falsos contra o sistema eleitoral e autoridades. A acusação afirma que essas ações impulsionaram a invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.
Zanin afirmou haver “clara divisão de tarefas” dentro da organização e apontou que o núcleo atuou para “viabilizar a instigação de atos violentos”. O ministro acompanhou Moraes ao absolver Carlos Cesar Rocha de parte das acusações, mantendo condenação apenas por organização criminosa e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
Para Zanin, existe “dúvida razoável” de que Rocha soubesse que contribuía para uma tentativa de golpe ao validar relatório com informações falsas sobre urnas eletrônicas.
O julgamento integra o conjunto de ações dividido pela PGR em núcleos temáticos. O núcleo 1, considerado central, já teve condenações, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro como líder do grupo. Os núcleos 2 e 3 devem ser julgados ainda neste ano, em novembro e dezembro, respectivamente.
