Inveja de rico tem preço: Califórnia perde US$ 700 bi em um mês após ameaçar bilionários com imposto - Claudio Dantas
Brasília, Segunda, 20 de julho de 2026
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Inveja de rico tem preço: Califórnia perde US$ 700 bi em um mês após ameaçar bilionários com imposto

Fundadores do Google já desistiram da Califórnia. Foto: Reprodução/NYT/X
Google já desistiram da Califórnia. Foto: Reprodução/NYT/X

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Nesta coluna, já mostramos estudos científicos que sugerem que, por trás do sonho político da “redistribuição de riqueza” dos bilionários e milionários, que muitos consideram uma virtude, mal se esconde um vício moral feio que só pode ser chamado de inveja de rico. E é uma inveja de um tipo específico: maliciosa e vingativa, que quer derrubar quem está “por cima”.

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A turma que defende a ideia com afinco pode se irritar com este mensageiro que vos escreve. Neste caso, em vez de atirarem no mensageiro, recomendo que sigam seu próprio conselho da época da pandemia: “acreditem na ciência”.

Califórnia paga o preço da inveja de rico como política pública

De certa forma, o bilionário investidor Chamath Palihapitiya, 49 anos, é a cara dos Estados Unidos: um imigrante do Sri Lanka, filho de pai alcoólatra e mãe empregada doméstica, que começou a trabalhar aos 14 anos em um Burger King. Exceto que isso tudo se passou no Canadá, onde ele também tem cidadania.

Chamath se mudou para a Califórnia em 2001, para trabalhar com o Winamp, saudoso software reprodutor de músicas. Entre 2007 e 2011, foi executivo do Facebook. Foi em sua empresa de capital de risco Social Capital que ele se tornou bilionário.

O empresário ainda mora na Califórnia, porém, talvez não por muito tempo. O estado da costa oeste americana, que se comporta como um Estado de partido único pela raridade com que os republicanos o governam, parece decidido a impor mais um imposto sobre seus bilionários, que tiraria deles de uma vez só 5% de seu patrimônio líquido. Supostamente, o confisco aconteceria uma vez só, e arrecadaria US$ 100 bilhões de 200 bilionários.

A proposta, que será submetida a referendo dos californianos em novembro, vale para quem continuar vivendo no estado a partir de 1º de janeiro de 2026. A origem do texto é um sindicato de trabalhadores da saúde com 120 mil membros. Surpreendentemente, o governador democrata, Gavin Newsom, que tem ambições presidenciais, é contra.

A resposta dos bilionários foi imediata. No dia 31 de dezembro, a firma do bilionário Peter Thiel (da Palantir e bastante ligado ao governo Trump) anunciou que está se mudando para Miami, na Flórida. Outro bilionário investidor, David Sacks, anunciou sua partida para Austin, no Texas.

Antes do Natal, o cofundador do Google, Sergey Brin, fechou ou tirou da Califórnia nada menos que 15 empresas em seu nome. Outro cofundador, Larry Page, já havia feito o mesmo. “Homens do Google dizem tchau para a Califórnia” foi a manchete do New York Times a respeito.

Comentando a saída de Brin, Chamath disse no X que as fortunas que deixaram a Califórnia só no mês de dezembro de 2025 totalizam US$ 700 bilhões. “Isso significa que os US$ 2 trilhões de riqueza que a Califórnia queria taxar agora caíram para US$ 1 trilhão e continuam a cair rapidamente”, completou. Ele previu que até o fim de 2026 o estado pode perder até US$ 1 trilhão em fuga de fortunas.

Chamath expressou completa concordância com um seguidor que disse que “Quando os bilionários vão embora, eles levam suas redes de contatos, investimentos e criação de empregos. As startups que eles poderiam ter financiado, os talentos que elas teriam atraído, acaba tudo. A perda visível é de US$ 700 bilhões. A perda invisível é maior”.

No X, Chamath fixou um comentário sobre o possível novo imposto californiano que ele publicou no dia 6 de janeiro: “A Califórnia está disfarçando uma proposta de confisco de ativos como ‘imposto dos bilionários’, mas a matemática não se resolve. Eles queriam US$ 100 bilhões de 200 bilionários californianos, mas US$ 500 bilhões em fortunas já fugiram do estado, deixando um buraco de US$ 25 bilhões em seus planos”.

O investidor, que já tem escritório no Tennessee caso também queira fugir da Califórnia, também fez um alerta a quem acha que o estado só quer tirar de bilionários: “O texto da proposta permite que a legislatura da Califórnia aplique essa taxa de ativos em não-bilionários, também, na hora que quiserem. Seu carro, sua casa e joias seriam incluídos na conta. A Califórnia não está colocando o alvo só nos ricos”.

Nova York já tem nível brasileiro de fardo fiscal

A Califórnia chega perto, mas não tem a pior carga tributária dos Estados Unidos. O estado de Nova York, cuja capital agora tem um prefeito comunista (Zohran Mamdani), tem uma carga tributária total (impostos federais inclusos) de 31,29%, que se aproxima dos 32% do Brasil em 2023.

A Califórnia tira 27,29% do pagador de impostos. A menor carga tributária é a do Alasca, de 13,58%. Nacionalmente, a carga tributária americana é de 25,6%. Os números são do site WalletHub, da OCDE e do Banco Mundial.

Recentemente, a cantora Beyoncé também se tornou uma bilionária. Repito aqui o desafio que fiz nas redes sociais aos socialistas e outros motivados pela inveja: qual parte do sucesso da artista foi roubada de alguém?

Bilionários aparecem, prosperam e ficam em países que dão certo, em que há mais preocupação em criar a riqueza do que em tomá-la, o que beneficia inegavelmente os mais pobres.

Como eu disse em um artigo de julho rebatendo a retórica da inveja estimulada por Luiz Inácio Lula da Silva, ter mais bilionários, quando sua fortuna não vem de imposto ou conluio com políticos, é desejável.

William Nordhaus, Nobel de economia de 2018, calculou que os bilionários inovadores (como os dois fundadores do Google que estão fugindo da Califórnia) ficam com apenas 2,2% da riqueza que criam. O resto fica com a sociedade que os cria e aprecia, em vez de demonizá-los com terraplanismo econômico e a mais mal disfarçada inveja, o pecado capital favorito da esquerda.

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